Na Mira do Groove

Alexandre nasceu da pilhéria de ser uma brincadeira sonora de um teclado para se tornar uma pilhéria experimental. Pilhéria experimental de um grupo que soube dar novo prisma ao pop, mas não soube como deixá-lo artisticamente espicaçado com elegância técnica. Não se pode excluir o mérito do grupo de se reinventar, algo muito bem catalisado quando se diz respeito à sonoridade. Mas o improviso não deu certo.

Diferentemente do álbum homônimo, que mostrava uma espécie de nova intersecção por meio do indie, After the Disco é um retrocesso dos grandes. O que tem de boa produção falta em qualidade.

O vocal barítono de Alex Turner, os riffs manjados de guitarra e as composições adolescentes de flertes, momentos amorosos e contratempos usuais à juventude que diz ‘se perder’ formaram a base do que é a essência Arctic Monkeys. O problema é que essa essência é absurdamente plastificada, e não é preciso ser especialista para apontar os cut-copies deslavados em seu quinto disco. Eis um exemplo: “Arabella” traz aquelas paradas de “War Pigs”, mas sem a mínima cadência de tempo do Black Sabbath. Dá vontade de interromper e botar pra rodar Vol. 4 (1971), onde cada minuto vale mais que todo o desperdício de procurar genialidade em AM.

Escrito por Tiago Ferreira em quinta-feira, março 21, 2013 10 Comentários 

Se as gravações do disco anterior mostravam um clima de tensão entre os integrantes e o líder, Comedown Machine é uma reatada nociva. É como se os instrumentistas cedessem às vontades de Casablancas para retomarem as atividades. Isso é comum em namoros e até amizades; mas, quando envolve a indústria fonográfica e uma legião nada pequena de fãs, os efeitos nocivos são percebidos de imediato.

Apesar de não ter o mesmo reconhecimento do conterrâneo Tame Impala, os australianos do Unknown Mortal Orchestra surgiram em datas próximas e também fazem o psicodélico-retrô quase meio século depois da lisergia influenciar o rock’ roll. Lonerism, do Tame Impala, provou que essa renovação não tem pretensão de superar ou soar revivalista do fio que conecta Beatles-Jimi Hendrix-Jefferson Airplane. Nesse quesito, II soa falho por transbordar desleixo do início ao fim.

Escrito por Tiago Ferreira em quinta-feira, novembro 3, 2011 6 Comentários 

‘A melhor coisa que já aconteceu’ na carreira de ambos os artistas é, provavelmente, um dos piores álbuns que nossos ouvidos tiveram que suportar. Há bem menos do Metallica do que Lou Reed: parece que a principal banda de metal do mundo foi alienada pelas possibilidades poéticas do ex-Velvet Underground. E o resultado é bem cansativo: 90 minutos de densidade desnecessária.

Escrito por Tiago Ferreira em domingo, outubro 23, 2011 1 Comentário 

Em quarto disco, banda segue a cartilha regular roqueira de Strays e desperdiça, mais uma vez, a oportunidade de revolver a anarquia sonora de bons tempos atrás. Se realmente for verídico os boatos de que o Jane’s Addiction virá ao Lollapalozza brasileiro, vamos torcer para que eles foquem no repertório antigo. É melhor para eles e, com certeza, melhor para os ouvintes.