




Experiente guitarrista com uma longa carreira que envolve trabalhos com músicos que vão de Tom Waits a Caetano Veloso, Marc Ribot pode brincar o quanto quiser. A probabilidade de sair coisa boa é muito grande. Assim que Your Turn bate aos ouvidos, o que parecia ser brincadeira se torna uma vultosa experiência. Do rock ao avant-garde, do eletrônico ao fusion: nenhum gênero é instransponível nos instrumentos dos grandes virtuoses do Ceramic Dog – complementado por Shahzad Ismaily (baixo) e Ches Smith (bateria).





“Porque Brigamos” foi uma sábia escolha para o repertório do segundo disco de Bárbara Eugênia. No que seria levado aos extremos no vocal agudo de uma Tetê Espíndola, Bárbara impõe a leveza. Isso porque a guitarra de Edgard Scandurra e o órgão de Astronauta Pinguim já dão o ardor necessário para uma dor de corno vista sob nova perspectiva musical. Deveria tomar uma sova aquele que trouxesse ‘desespero’ à Barbara. Mas com isso ela lida muito bem: o timbre sereno indica que, desse obstáculo, ela passa facilmente.






Depois de lançar o elogiado Halcyon Digest, o vocalista passou por maus bocados e não teve tempo de fazer muitos shows de divulgação. Recuperado, veio a ideia do Atlas Sound, que o levou para outra incursão musical. De volta com a banda, novas ideias vieram na composição e na estética musical. O que isso influencia na agressividade que se pairou em Monomania? Além da faixa-título, claramente o rock sujo mais originalmente pesado que você deve ouvir em 2013, paira no disco um senso de reducionismo – reducionismo de acordes, reducionismo de efeitos estranhos ao fundo, reducionismo atmosférico…
Escrito por Tiago Ferreira em terça-feira, abril 16, 2013 5 Comentários




A presença de Karol Conká não é nenhuma grande surpresa. A cantora curitibana que faz rimas como uma rapper entregou seu primeiro disco, Batuk Freak, mirando mais o pop do que tudo. Um pop que abrange da periferia à classe média alta que gosta de rebolar em baladas cujas entradas ultrapassam os 100 paus. A produção de Nave procura o exacerbado, talvez para agradar justamente quem se agrada pelo poder do funk carioca de instigar muito mais pelos graves do que pelas composições.
Escrito por Tiago Ferreira em quarta-feira, abril 10, 2013 1 Comentário



O que era um minimalismo admirável por suas camadas até então não exploradas no disco homônimo de 2011, em Overgrown tornou-se um conceito para Blake que, apesar de ser autêntico, não é palatável quando aplicado de forma tão distinta como ele resolveu se aventurar neste disco. Claro exemplo é a parceria com RZA em “Take a Fall For Me”: seguindo numa linha ainda mais crua do que Drake explorou, vemos a inadequação de uma parceria que não tem nada a ver. O som é introspectivo, o clima é introspectivo e o diálogo… tão introspectivo quanto um doidivanas e um lúcido tentando se aturar numa sala de espera qualquer.






Numa entrevista confessional à SPIN Magazine, o soulman Charles Bradley afirmou que por mais que se encontre novas formas de se fazer música, para ele o que importa é que se faça música com emoção. Por isso, invariavelmente, ele recorreu à soul music no alto de seus 64 anos para expressar sentimentos de amor, dor, afetividades e outras experiências pessoais. Tal qual um Otis Redding do século XXI, Bradley mune suas emoções cantadas com funk e soul em suas formas mais poderosas.





Uma única audição de “intro”, do grupo de rap-noisy Clipping, detrata o hedonismo que tomou conta e afetou toda a produção do gênero. Ainda em seu primeiro disco, a proposta do Clipping é impactar tanto por meio de uma atmosfera improvável que inclui pipocos eletrônicos, overdubs estourados e batidas tensas, como por suas rimas que, de tão velozes, assumem o caráter quase terapêutico de se desvencilhar das porcarias que somos obrigados a aguentar no hype.
