Escrito por Tiago Ferreira em quarta-feira, maio 29, 2013 6 Comentários




O experimento, assim como a liberdade, tem os seus resquícios nocivos. Para cada boa composição como “Mordido” e “Despirocar” (duas canções que subvertem o pop com belas guitarras e vigor desenfreado), a banda se deixa desleixar com bobagens como “Líquido Preto” (quase-apologia aos refrigerantes de cola que remonta a “Nescafé”, mas sem citar logomarcas – pode ser Pepsi, Dolly, Coca…) e “Torcicolo”, o resultado mais chinfrim do que seria um diálogo improvável entre Ultraje a Rigor e Jovem Guarda.






Para chegar até aqui, mais de 25 anos depois de sua estreia, o Primal Scream agregou, multifacetou e distorceu bastante até se aproximar ao pop. E isso não é uma notícia ruim: em More Light, gêneros como psicodelia (“Goodbye Johnny”), folk-rock (“River of Pain”), shoegaze (“Hit Void”) e até uma pitada de gospel (“It’s Alright It’s OK”) estão formulados num tratamento que não estranha quem já conhece os percalços da banda.
Escrito por Tiago Ferreira em quarta-feira, maio 22, 2013 1 Comentário





Agora, temos uma banda que procura trabalhar a complexidade em suas composições num tempo em que a era de apreensão de George Bush findou-se, acalmando aquele discurso contra a beligerância do governo. Então, o momento que o Vampire Weekend considerou oportuno chegou: hora de trabalharmos o imaginário. Nada de discursos diretos. Que comece a dança para celebrar o abstrato a partir das nossas referências intelectuais.
Escrito por Tiago Ferreira em segunda-feira, maio 20, 2013 15 Comentários




Ao ouvir Random Access Memories a sensação é: bem que poderia ser fake. Se o Daft Punk fizesse isso, talvez poucos reconheceriam. Este papo de música orgânica, Chic e Steely Dan ao invés de sintetizadores e batidas repetidas – eis aí um ótimo argumento usado para dar um senso futurístico à música. Só esqueceram-se de refletir que tudo isso é obra do passado. Dos anos 1970, pra ser mais específico.
Escrito por Tiago Ferreira em quinta-feira, maio 16, 2013 4 Comentários






Um disco que se chama The Terror e termina com um cover de “All You Need is Love” (The Beatles) já vem com o enredo pronto: ele vai trafegar pelo horror até encontrar o fim do túnel, tão ensolarado como dá a entender a capa. É exatamente isso que faz o The Flaming Lips em seu 13º disco. No entanto, você deixaria de assistir a um filme de Hitchcock só porque a mocinha não morreu no final? Julgaria a intensidade de um suspense japonês comparando-o a fracassos hollywoodianos? The Terror é um disco denso, e isso você já deve ter cansado de ler em outras resenhas por aí. Mas estamos diante de uma densidade que mexe com sentidos.




A primeira impressão que se tem ao rodar o 22º disco do compositor paulista que fincou morada na Bahia é que estamos diante do Canal Viva. A faixa-título, que abre o disco com uma melodia toda oitentista, não nega o paralelo. Ele soa preocupado com ‘vaidade e luxo em vão/medos sempre iguais’, mas sua voz aveludada e frágil nos remete a algo do coração. É como se estivéssemos diante de uma novela da Glória Pires que traz um tema complexo como tráfico humano, mas cujo espetáculo está na trama amorosa.
Escrito por Tiago Ferreira em terça-feira, maio 14, 2013 1 Comentário





Decrepitude e improbabilidades fortalecem um disco que rejeita completamente qualquer menção a ‘vanguardista’. Supere os argumentos que ligam o Pere Ubu à ‘música difícil’. Difícil mesmo é não gostar da decrepitude que ele mina em canções como “And Then Nothing Happened” ou “Free White” (vale lembrar que sr. Thomas, o único membro fundador do Pere Ubu desde sua formação, em 1975, já tem 60 anos).
