Na Mira do Groove

Supergrupo vai do afro-beat ao fusion em debut fantasticamente poderoso

Escrito por Tiago Ferreira em quinta-feira, junho 20, 2013 3 Comentários 

Você pode encarar Kanye West como o bem-dotado que sabe como produzir a sua música; um cara bem cercado de companhias; ou um ególatra que se faz de incompreendido. Construir essa imagem superficial tem sido o maior fiasco da carreira de West. Tudo começou quando ele achou que sua megalomania poderia ser levada a sério em My Beautiful Dark Twisted Fantasy (2010) – que convenceu surpreendentemente bem. Mas, será que batidas soberbas compensam letras de autoengrandecimento?

Falar do factual nunca foi a cara do grupo que, além de Dinucci, reúne os compositores Rodrigo Campos, Romulo Fróes e o baixista Marcelo Cabral. Subvertendo as linhas do samba e do rock, o Passo Torto mais uma vez criou um olhar analítico sobre o urbano – desta vez, munido de mais complexidade. Tem tudo a ver a banda ser de São Paulo. A partir dessa premissa, você entende o sentido de solidão de “Homem Só”, o cenário de “A Cidade Cai” e do ‘cansaço que cai de cansaço’ descrito em “Tempestade”.

Mais de 30 anos se passaram desde que Ozzy Osbourne gravou a última vez com o Sabbath (Never Say Die! é de 1978) e, de diferentes maneiras, cada um seguiu o seu caminho. Em pleno 2013, sabemos o quanto devemos agradecer o Black Sabbath por suas contribuições. E há de se comemorar o retorno de Ozzy à banda – ainda que o desenrolar da reunião com o baterista Bill Ward tenha revelado que a coisa tem a ver com grana. No entanto, a pergunta não cala: ainda precisamos do Black Sabbath? Ou, reformulando: ainda carecemos de nostalgia?

Shaking the Habitual é o álbum mais errático de 2013. Pelo menos, até agora. Não há linearidade, tampouco preocupação com o ouvinte neste quarto disco do duo sueco The Knife. Nada é colocado de forma óbvia nas 13 faixas que totalizam mais de 1h30min de um álbum que fala sobre sexualidade, fragilidades e emoções de forma intransponível e excitante.

Veio forte, com ares de titã: tal qual um disco de Kanye West ou Rick Ross, Contra Nós Ninguém Será é alicerçado por vários colaboradores que, somados, chegam a mais de quarenta: tem Rael, Flora Matos (“Eu Canto Uq Soul”), Dexter (“Liberdade Não Tem Preço”), Falcão d’O Rappa e Alexandre do Natiruts em “Abrem-se Os Caminhos”, Marina De La Riva (“Voltarei Pra Você”)… E, claro, Ice Blue na já citada “Tá Na Chuva” e Mano Brown em “Homem Invisível”. (E deixei de falar de uma infinidade de outros.) Esse número grandioso de participações é importante, porque evita que o disco fique cansativo.

Escrito por Tiago Ferreira em segunda-feira, junho 3, 2013 10 Comentários 

Finalmente o Queens of the Stone Age pode aderir algumas canções novas ao petardo de clássicos que formam o tracklist óbvio – porém insuperável – das melhores apresentações do grupo. Pairava uma carência de força pop na banda de Josh Homme desde a última aparição de Dave Grohl nas baquetas – no caso, Songs For the Deaf (2002). Apesar do líder do Foo Fighters ser dono da participação mais constante no disco (ele toca bateria em seis canções), …Like Clockwork também tem o dedo colaborativo de outras figurinhas conhecidas. Trent Reznor, Alex Turner e Elton John estão lá, mas o ouvinte nem percebe direito.