Apesar de ainda não ter sido lançado novos trabalhos de Racionais ou da Céu ou do animado Móveis Coloniais de Acaju ou de Arnaldo Baptista, todos praticamente prometidos para 2011, muita coisa boa já está rolando por aí no cenário musical brasileiro.

A seguir, confira uma lista de 5 discos nacionais bem promissores para o ano. Repare que, na lista, optei mais por mostrar o cenário alternativo da nossa música. Tem muita coisa do Nordeste, uma das regiões mais prolíficas de nossa geografia. De qualquer forma, são somente indicações: esta lista não aponta os melhores nacionais até agora, apenas 5 grandes destaques.

Confira:

Criolo – Nó Na Orelha

Gênero: Hip Hop/Samba/MPB/Afro-Beat
Gravadora: Oloko Records
Texto: O rap nacional como nunca se viu em Nó na Orelha, novo álbum de Criolo

Ex-Criolo Doido e ainda morador do Grajau (zona sul de SP), Kleber Gomes mostrou que é possível unir a atitude e as rimas do rap junto a batidas pesadas de diversos gêneros que têm em comum a origem negra. Criolo mostra o afro-beat em “Bogotá”, o samba em “Linha de Frente”, o afoxé em “Mariô” e o peso do hip hop de salão em “Grajauex”. Em “Não Existe Amor em SP”, o rapper assume uma autoridade poética que dá peso a um hino precoce, uma espécie de manifestação urbana de uma geração pós-“Sampa”, de Caetano Veloso. Um disco sincrético, maduro e sincero. E, por se tratar de rap, uma possibilidade para novos caminhos.

Canção: “Não Existe Amor em SP”

Silvério Pessoa – Collectiu: Encontros Occitans

Gênero: Regional
Gravadora: Independente
Texto: De Silvério para o mundo (Estadao.com.br)

Resultado de uma visita do músico pernambucano à região do sul da França, Collectiu é uma mistura do regionalismo nordestino junto à cultura occitan. O objetivo claro é desconstruir as nossas tradições populares e possivelmente as tradições dos occitans. E o resultado é bem provocador. Um purista talvez se sentisse incomodado com vozes francesas entoando um baião. Segundo Silvério, a intenção era unir dois ritmos de grandes proximidades musicais que se deparam com o mesmo dilema: a resistência. Além desse disco, neste ano o músico também lançou No Grau.

Canção: “Na Boleia da Toyota”

Gui Amabis – Memórias Luso/Africanas

Gênero: MPB
Gravadora: Independente
Texto: Marido de Céu, Gui Amabis lança CD com Siba e com o baixista da Nação Zumbi (Diário de Pernambuco)

Começa uma base de música clássica meio trilha de filme dramático dos anos 40 (que fica ainda mais pesado com os vocais de Amabis) em “Dois Inimigos”, dando o panorama inicial de um álbum que mostra a difícil aproximação luso-africana, tendo em vista nosso passado histórico e o próprio conceito biográfico do autor. Então, segue a impecável produção de “Orquídea Ruiva” com a ilustre participação de Criolo (que também canta em “Para Mulatu”) e a voz lúgubre de Sinhá, denotando uma parceria indefectível. Amabis cita reverenciar o conceito de família neste disco clima ‘super 8 de cinema’, criando um elo com músicos conhecidos de nossa geração, como Tulipa Ruiz (“Sal e Amor”), Céu (“Swell”), Lucas Santtana (“O Deus que Devasta Mas Também Cura”), entre muitos outros.

Canção: “Orquídea Ruiva”

Burro Morto – Baptista Virou Máquina

Gênero: Rock Psicodélico Instrumental
Gravadora: Independente
Texto: A voz da Paraíba ecoa no instrumental do Burro Morto

A grande sacada desse grupo paraibano é inserir efeitos eletrônicos em bases de variáveis estilos de rock, que vão do hard rock em “Foda do Futuro” ao experimentalismo de “Tocandira”. De acordo com os integrantes, o disco retrata as emoções de um personagem que se vê imerso em uma nova descoberta. Ele lembra bastante o disco Mundialmente Anônimo, do projeto Maquinado, de Lúcio Maia, não só pelos efeitos como pelo caminho industrial impulsionado pelas distorções de guitarra. Um trabalho que merece atenção por ser um dos registros mais abstratos lançados neste ano.

Canção: “Foda do Futuro”

Nuda – Amarénenhuma

Gênero: Rock
Gravadora: Independente
Texto: A excitante indefinição sonora dos pernambucanos do Nuda

Amarénenhuma é uma interessante proximidade entre a música popular brasileira e o rock experimental. Prova concreta disso é a versão apimentada de “Ode aos Ratos”, de Chico Buarque. A voz de Raphiro, contornada pelos efeitos intricados de guitarra de Arthur Dossa, forma uma desconstrução pungente que tem tudo a ver com a comparação poética com ares de Nietzsche e Thomas Hobbes (alguém tinha que transformar essa música em rock). Referências ao cinema clássico (“Em Nome do Homem”) e a surf music (“Toque pra Calhetas”) também não faltam. Com este disco, dá pra dizer que o Nuda firmou precocemente sua identidade no cenário musical brasileiro.

Canção: “Ode aos Ratos”