Com vocês, a orquestra do caos. O tamanho dela dá indícios da dimensão desse caos; são 27 músicos envolvidos, alternando-se entre programações eletrônicas, metais, baterias, pianos e vozes femininas exasperadoras.

Para um nome tão incendiário como Fire! Orchestra, Exit! não só cumpre como supera qualquer elaboração sonora com este termo.

Dividido em duas partes, o disco potencializa a cena avant-garde escandinava (que também conta com nomes como Atomic, Goran Kajfes Subtropic Arkestra etc), colocando o virtuosismo da forma mais torta e menos provável possível.

Antes de se tornar orquestra – aqui percebida sob a perspectiva quase de bagunça, como se fosse um casting insano de um movimento vanguardista – o Fire! já havia lançado discos considerados malucos.

Só que, aqui, o trio Mats Gustafsson (sax/piano elétrico), Johan Berthling (contrabaixo) e Andreas Werlin (bateria) estabeleceu uma ponte sonora conectada em cada uma das duas faixas.

Você vai se deparar com solos esparsos de sax e pianos simulando os ensinamentos de Art Tatum em pleno século XXI, mas o mais impressionante de Exit! é perceber como os músicos percorrem da música gélida e escandinava com elementos operísticos a um ritual tribal coroado de excessos. (A falta de percussões, neste caso, soa como uma releitura europeia da pulsação inerente à música africana.)

Na parte estrutural, dá pra dizer que o Fire! Orchestra ingere forte pitada industrial em um acid-jazz tão instigante, quanto exasperante.

As dosagens musicais beiram o extremo em alguns minutos de cada tema, mas Exit! prova que toda a orquestra envolvida é capaz de encontrar uma saída musicalmente perspicaz em um jogo ritmicamente complexo.

Se liga: neste ano deve sair um registro ao vivo inspirado em Exit!. Vai se chamar Second Exit.