Pode parecer estranho, mas antes do anúncio oficial do OutKast no Festival Coachella, que acontece em abril deste ano nos EUA, eu já estava com o duo na cabeça.

Provavelmente a culpa é de Danny Brown. Porque, ao ouvir Old, trechos avulsos de Aquemini (1998) e Stankonia (2000) iam e voltavam ao passar por faixas como “Wonderbread” e “Ready 2 Go”, sem deixar de mencionar “The Return”, uma alusão clara ao delicioso groove de “Return of the G”.

É fácil de entender tal similaridade: é porque a voz de Danny lembra bastante Andre 3000.

O fato de ‘lembrar’ não necessariamente torna Danny Brown semelhante ao OutKast. E não vamos entrar no julgamento do que poderia ou não ser melhor.

Mas a energia e a diferente forma de assimilar o hype, por mais que aproxime a dupla do trintão mais doido do hip hop atual, são dignas de destaque. A execução é muito boa, mas isso não é considerado qualidade num jogo onde quem tem mai$ surpreende mais.

Brown penou para obter reconhecimento em XXX (2011) e, graças ao chacoalhão da SPIN Magazine na lista de melhores álbuns de rap daquele ano, finalmente entrou com força total no ano seguinte.

Essa força reside potencialmente no caráter entertainer. (E aí, chegamos a uma outra aproximação: Snoop Dogg, principalmente nas composições em que diz querer chapar até ficar em coma (“Kush Coma”) e admitir ‘não permanecer focado’ em “Dip”.)

A bizarrice em Old vai além da aparência. Uma fúria misturada com bom-humor elevam o vigor do álbum. Ele tira onda com Skrillex, Jay-Z e Kanye West sem nem ao menos precisar citá-los – para ele, basta entregar a fórmula superficial e fazer com que o ouvinte tire o próprio julgamento.

Cada faixa parece conter o que há de melhor do que pode ser feito no rap. Você frita com o estilo ‘freaky-cult’ de suas rimas, colocadas como se o rap fosse apenas um dos muitos elementos contidos nas composições.

Ele se faz de doidão, é doidão, mas é um doidão consciente. Um doidão que testemunhou um assassinato ao comprar pão (“Wonderbread”) e criou uma narrativa insólita. Um doidão que se diz ‘hipster de coração’ antes de desvendar sua triste adolescência em “Lonely”.

Mas é nessas doideiras que Danny Brown se firma. Ele pode ressaltar cada trago de marijuana que dá, mas não antes de nos impactar com suas rimas, ilusões, desilusões e loucuras.

Alguns dos maiores nomes do rap podem estar envelhecendo, mas dificilmente algum deles continuará jovem e cheio de energia como o ‘Old’ Brown.