A seguir, você vê o restante da lista dos maiores álbuns dos anos 2000, a partir do ano 2005 até 2009. Como já citei anteriormente, os álbuns estão divididos por ano – dois títulos a cada ano, com exceções dos anos 2008 – que contém três álbuns – e 2009 – que ficou com apenas um registro nessa lista.

Também confira aqui – Os 20 Maiores Álbuns da Década de 2000 – Parte I.

Damian Marley – Welcome To Jamrock (2005)

Gênero: Reggae/Hip Hop
Gravadora: UMVD

Damian Marley, o filho caçula do rei do reggae, era novo demais quando seu pai morreu. Apesar da batida do reggae pulsar forte, Damian trilhou por um caminho mais pop, que unisse sonoridades universais correlatas ao ritmo jamaicano. Disso, entenda-se hip hop. Seus vocais demonstram certa urgência em desvencilhar de um legado que ele não participou, mas que está intrínseco em sua carreira. Quando Damian convida os ouvintes ao “JamRock”, quer mostrar que a construção da sua carreira independe dos atributos musicalmente virtuosos de seu pai. A impressão que dá na canção “The Master Has Come Back” é que Damian representaria o legado de Bob. Longe de ser, mas é bom saber que um filho do rei decidiu navegar em outras correntes. E o fez muito bem.

Destaque: “Welcome To Jamrock”

Cidadão Instigado – Cidadão Instigado e o Método Tufo de Experiências (2005)

Gênero: MPB/Rock/Brega
Gravadora: Independente

Fernando Catatau, guitarrista e mentor do Cidadão Instigado, já disse que é ‘doido’ por música brega e Roberto Carlos, influência perceptível em todo o seu trabalho desde 1994, quando lançaram seu primeiro EP. O reconhecimento da banda mesmo veio durante os anos 2000, principalmente com a ambientação melancólica de O Método Tufo de Experiências. “Te Encontra Logo” tem uma linda melodia, que reforça o lado emotivo de Catatau, arranjador e compositor de todas as letras do disco. “Os Urubus Só Pensam em Te Comer” mostra o lado mais psicodélico da banda com trumpetes, sintetizadores e teclados, formando uma verdadeira fuzarca sonora que mais diverte do que encanta. Este disco rompeu as barreiras do preconceito ao unir gêneros rechaçados pela crítica especializada e pelo público que diz gostar de rock e música popular. Tudo graças à profusão de ritmos e emoções condensadas em um registro singular.

Destaque: “O Tempo”

Arctic Monkeys – Whatever People Say I Am That’s What I’m Not (2006)

Gênero: Rock
Gravadora: Domino

Os ingleses ficaram tão alvoroçados com o lançamento do debut do Arctic Monkeys (que já havia conquistado milhares de fãs via streaming pela internet), que não demorou muito para nomear Whatever People Say I Am… um dos melhores discos britânicos. De todos os tempos. Exageros à parte, o disco é uma pancada roqueira do começo ao fim e pegou carona no movimento garage-rock-moderno impulsionado pelos Strokes. A diferença é que Alex Turner trouxe um som mais dançante, diluído e urgente, de impacto imediato – o vocal de adolescente rebelde de Turner contribui bastante para essa ênfase. Se hoje em dia podemos afirmar que a internet tornou-se um nicho gigantesco em música, o Arctic Monkeys é o protótipo perfeito para essa revolução.

Destaque: “When The Sun Goes Down”

Amy Winehouse – Back To Black (2006)

Gênero: Soul/R&B
Gravadora: Island Records

Back To Black é praticamente a Amy Winehouse em pessoa. “Rehab” fala de sua repulsa em não desvencilhar-se das drogas e do álcool; “You Know I’m No Good” relata suas destrezas amorosas no período em que estava com Blake Fielder-Civil, preso por porte de armas; e “Wake Up Alone” exemplifica a difícil situação de uma artista que se vê presa pelos interesses dos fãs e papparazzi. Amy pode não ser uma das personagens mais exemplares da atualidade, mas tem uma potência vocal de diva que causa presença. Não é qualquer uma que pode ser comparada com Ella Fittzgerald, principalmente nos dias de hoje. E tudo ganha muito mais cor quando é tratado de forma biográfica.

Destaque: “You Know I’m No Good”

Nação Zumbi – Fome de Tudo (2007)

Gênero: Manguebit
Gravadora: Deckdisc

Após a morte de Chico Science em 1996, uma dúvida pairou sobre os fãs: e agora, o que será do Nação Zumbi? Nesta lista, poderia ter colocado o Radio S.amb.A, lançado em 2000, que marca a volta fulminante da banda mais poderosa de nossos terrenos. Mas Fome de Tudo destaca-se como o melhor disco da banda (sem Chico) por ser o mais pesado e, ao mesmo tempo, de melhor diluição para os não-iniciados. Aqui, há uma pungência tanto nas letras e arranjos, como se vê em “Nascedouro”: “Quem não vai torcer/pro coração bater/dá-lhe viver, dá-lhe viver“. A profusão de ritmos é magistral, graças ao renomado produtor Mario Caldato Jr. As letras estão mais fáceis de serem cantadas por multidões, e isso só faz reforçar a importância do Nação Zumbi na música brasileira do século XXI.

Destaque: “Toda Surdez Será Castigada”

Luiz Melodia – Estação Melodia (2007)

Gênero: Samba/MPB
Gravadora: Biscoito Fino

Luiz Melodia já havia revolucionado a MPB em 1973 com o lançamento de Pérola Negra, misturando samba, tropicalismo e rock da Jovem Guarda com temas do morro. Apesar de ter entregado bons discos ao longo da carreira – como Felino (1983) e Retrato do Artista Quando Coisa (2001) -, Estação Melodia mostra Luiz se debruçando sobre sambas de partido alto, se arriscando como intérprete. Talvez muitos não saibam, mas Luiz Melodia é um verdadeiro iconoclasta e muito eclético. Porém, fica evidente sua maestria sambista ao ouvi-lo tocar “Rei do Samba” (Miguel Lima/Arino Nunes) , “Tive Sim” (Cartola) e as belas canções de seu pai Oswaldo Melodia: “Não Me Quebro à Toa” e “Linda Tereza”.

Destaque: “Não Me Quebro a Toa”

Kamau – Non Ducor Duco (2008)

Gênero: Rap
Gravadora: Independente

‘Não sou conduzido, conduzo’ diz o nome do álbum do rapper, escrito em latim. Famoso após ganhar destaque nas disputas de rimas freestyle pelas periferias de São Paulo, Kamau conseguiu dar um upgrade necessário ao ritmo ao versar sobre temas cotidianos com uma abordagem diferente. As críticas são diretas e relata as crônicas humanas vendo-o como um ser pensante, independente de suas origens. “Não Acredite Se Quiser” fala sobre a liberdade de escolha, “Equilíbrio” versa sobre os sonhos que todos devemos buscar (linda letra, chega a emocionar), seja profissionalmente ou emocionalmente, e “A Quem Possa Interessar” é uma ode honrosa ao cidadão comum que acorda cedo e “faz por merecer, que corre atrás”. Em resumo, Kamau conseguiu falar sobre otimismo sem tirar os pés do chão, direto para todos os tipos de público. Também mostra que para ser um bom rapper não basta saber improvisar; tem que ter conteúdo.

Destaque: “Equilíbrio”

TV On The Radio – Dear Science (2008)

Gênero: Experimental
Gravadora: DGC/Interscope

TV On The Radio é um grupo que não se encaixa em nenhum rótulo, justamente porque foge de todos. Quando você pensa que bateu o Ramones no guitarrista Kyp Malone, como na faixa de abertura “Halfway Home”, chega os vocais de Tunde Adebimpe sobrepondo a new age – para citar um exemplo. É verdade que Dear Science é um disco mais convidativo que os anteriores, e é justamente por isso que ele veio parar aqui: por ter mostrado que temas espinhosos, climas densos com momentos alegres e experimentação sonora podem caminhar juntos possibilitando uma excitante verve criativa. E aí tem de tudo: da estonteante balada “Family Tree” ao funk-meio-britpop de “Golden Age”, o TVOTR se firma como uma das bandas mais originais de que se tem notícia.

Destaque: “Golden Age”

Portishead – Third (2008)

Gênero: Trip Hop
Gravadora: Island

A frase que abre Third é de um brasileiro, mas o Portishead decide partir para o espaço sideral com as quebras abruptas dos sintetizadores, que entram em colapso junto aos vocais sedutores de Beth Gibbons em “Silence”. Já se iam 11 anos desde que o Portishead não lançava um novo álbum, um desfalque imenso para a turma do trip hop. A ótima produção de Geoff Barrow garante a qualidade da enérgica “Machine Gun” e a voz de Gibbons prova que é uma injustiça da Rolling Stone não nomeá-la como parte integrante dos 100 maiores vocais da música. No fundo, no fundo, Third ganha mais valor e notoriedade quando é encarado como um novo debut. E a mensagem que fica: jamais diga adeus ao trip hop.

Destaque: “We Carry On”

Animal Collective – Merriweather Post Pavilion (2009)

Gênero: Experimental
Gravadora: Domino

Jamais tinha ouvido falar de Animal Collective até o lançamento de Merriweather Post Pavilion. Ele é bem esquisito, mas acredite: é o mais palatável dos nove álbuns de sua discografia. Panda Bear comanda a incursão sonora de uma das bandas mais inclassificáveis da atualidade. Um folk meio subaquático permeia “My Girls”, um som eletro-psicodélico é a diretriz de “Bluish” e as vozes oníricas entram em erupção na faixa “Lion In A Comma”. Só pela experimentação sonora o Animal Collective já teria sua posição ao sol. Mas é a relevância disso tudo em um conjunto de contrapontos estéticos que garante a idoneidade de uma obra que navega na complexidade.

Destaque: “No More Running”