
Apesar de muito som novo ter surgido no ano de 2011, houve muito revivalismo de bandas novas, principalmente com a cena dos anos 1980 e 1990. A banda inglesa Yuck demonstrou como o grunge ainda pulsa dentro do rock indie (apesar de não estar listada aqui), o Unknown Mortal Orchestra trouxe um acid-rock incorpado com referências do eletro-industrial, o grupo pernambucano Nuda traçou um diálogo bem-sucedido do manguebit regional com o rock de panorama nacional mais pop…
Também foi um ano de novidades sem precedentes, como o pós-tudo de Anna-Anna, o hip hop com dubstep do Shabazz Palaces – e suas composições tão complexas que poderiam ser ambientadas em um outro universo. Muita coisa boa!
Confira abaixo os 11 artistas/grupos que você não pode deixar de ouvir em 2011:

11. Anna-Anna
Gênero: Lo-fi/Experimental
Texto: Entrevista: Anna-Anna
Manuela Leal, a produtora que dá vida à mulher que representa as heroínas de ficção científica, conquistou a imprensa estrangeira com suas colagens que sugerem um universo futurístico solitário e carente de afetividades humanas. O som é bem contido e lembra desenhos animados como Thundercats e She-Ra. “Eu queria ter superpoderes para afetar o mundo físico”, disse Manuela em entrevista ao Na Mira do Groove. “Por isso [recrio] essas imagens”.
Faixa: “Cat Eyes”

10. SBTRKT
Gênero: Eletrônico
Texto: Resenha do rraurl do álbum homônimo do SBTRKT
A imagem de um cara com máscara africana na capa do disco homônimo engana um pouco sobre o que representa o projeto de um produtor de Londres. O SBTRKT criou essa aproximação da música eletrônica de forte presença na Inglaterra com diversos elementos, mas nada daquele fervor percussivo que marca a música africana. Ainda assim, é um som único, admirável. O rapper canadense Drake disse adorar esse projeto e chegou a gravar uma boa faixa, contando com a parceria do Little Dragon, que não deixa nada passar em branco.
Faixa: “Wildfire” (ft. Little Dragon)

9. Cults
Gênero: Rock Indie
Texto: Crítica do álbum Cults
Do nada, este duo de Nova York pulou de um anonimato forçado para se tornar uma das grandes promessas da indie music daqui pra frente. A grandiosa gravadora Columbia já veio com os olhos arregalados para fechar um contrato e produzir um disco que já encantou muita gente ao redor do mundo – graças ao diálogo natural com a cena punk e pós-punk que floresceu no famoso CBGB. Como disse anteriormente, “o guitarrista Brian Oblivion dá um caldo sutil nos riffs, formando uma espécie de cortina para o berço vocal de Madeline”. É isso!
Faixa: “Go Outside”

8. OFF!
Gênero: Garage Rock
Texto: OFF!, o punk de… agora!
Qualquer membro do Ramones ficaria orgulhoso de ouvir as canções do OFF!. Todas elas têm pouco mais de um minuto e são tão diretas ao ponto, que cravam logo em uma primeira audição. A banda de rock de garagem aparenta amadorismo, mas não é bem assim. O cantor e compositor Keith Morris carrega consigo o Black Flag desde o final dos anos 1970, sem falar dos projetos de Circle Jerks e Midget Handjob. Talvez, nunca esse tiro fora tão certeiro em tempos turbulentos em que grupos de todos os lugares tentam se destacar com parafernálias sonoras. It’s only rock’n roll, and we love it!
Faixa: “Poison City”

7. Eskimo
Gênero: Rock Nacional
Texto: Entrevista com Patrick Laplan, multiinstrumentista do Eskimo
Mais um cara experiente em ação: Patrick Laplan, ex-Los Hermanos e baixista de longo tempo do Biquini Cavadão, é a principal mente criativa do grupo de rock nacional do Rio de Janeiro. O Eskimo exibe múltiplas influências sem se perder no meio delas: tem ska, reggae, samba-rock, dub. “Três décadas ouvindo música e mais de 14 anos trabalhando com isso. Nada mais natural, não?”, disse Laplan em entrevista ao Na Mira do Groove. Natural ou não, a construção sonora do grupo é muito bem feita.
Faixa: “Cavalo de Fogo”

6. Frank Ocean
Gênero: R&B/Hip Hop
Texto: Frank Ocean como o próximo grande nome do R&B?
Talvez uma das grandes promessas do R&B, Frank Ocean traz um ar jovial à música, principalmente por integrar o famoso coletivo esquizofrênico do Odd Future, um dos últimos abalos do hip hop mundial. Ele demonstrou potências vocais de sobra ao cantar em faixas de Watch the Throne, além de esbanjar inventividade ao dialogar com sinistras profusões sonoras no seu EP nostalgia, ULTRA. Ele tem um bom conhecimento de técnicas de estúdio e, inclusive, já trabalhou com Justin Bieber. Último fato à parte, Frank é, indubitavelmente, uma das últimas boas surpresas que surgiram na black music.
Faixa: “Novacane”

5. Nuda
Gênero: Rock/Ska/Surf Music
Texto: A excitante indefinição sonora do Nuda
Riffs esvoaçantes, pontuações de ska e surf music, sem falar em ritmos regionais pulsantes devido à inevitável localização geográfica. A banda pernambucana do Nuda tem tudo isso e muito mais: há também letras existencialistas (“Em Nome do Homem”), paisagísticas (“Amarénenhuma”) e interpretações inspiradíssimas (“Ode aos Ratos”, de Chico Buarque). Ah, também tem tropicalismo, baião, ciranda e rock. Difícil de definir? O próprio Nuda dá o caminho: “na falta de rótulos adequados, pode ser classificada como ‘jungle-tangle-mangle’”. Hã?!?
Faixa: “Maruimstad”

4. MarginalS
Gênero: Instrumental
Texto: MarginalS, o novo power trio emergente
Tudo improvisado. Os shows são improvisados, os temas são improvisados, o tempo das faixas são improvisados. Inclusive, o primeiro álbum, sem título, é todo improvisado. Nem as faixas têm nome. De consistente, Thiago França (sax, flauta, EWI), Marcelo Cabral (contrabaixo) e Tony Gordin (bateria) só deixaram o nome do grupo. “A gente não tem produção nenhuma. Ligamos os instrumentos e começamos a tocar. Mesmo no estúdio”, disse Marcelo Cabral em entrevista ao Na Mira do Groove (que ainda vai ao ar). O deleite aos ouvidos é garantido, já que estamos falando de três músicos excelentes no que fazem.
Faixa: “parte 2, parte 1”

3. Anna Calvi
Gênero: Flamenco/Folk/Rockabilly
Texto: Anna Calvi apresenta o primeiro grande álbum de 2011
A cantora ítalo-britânica pode não ter conquistado o Mercury Prize de 2011 (que premia os melhores discos da região da Grã-Bretanha e Irlanda), mas só o fato de ter sido nomeada, dá pra perceber que os ouvintes estão mais que preparados para suas miscelâneas sinistras entre flamenco, folk e rockabilly. Além de ser uma excelente guitarrista, Anna Calvi transpõe uma sentimentalidade sólida e impenetrável, como se fosse a fonte natural que a qualquer hora vai pairar em nossos ouvidos numa dessas andanças por aí. Até Brian Eno reconhece isso.
Faixa: “The Devil”

2. Unknown Mortal Orchestra
Gênero: Acid Rock
Texto: Crítica do álbum homônimo do Unknown Mortal Orchestra
Aqui tem Prince, tem Funkadelic, tem Primus. Mas também tem PJ Harvey, My Bloody Valentine e Bibio. Prevalece a aura do acid-rock devido aos riffs e solos psicodélicos de Ruban Neilson. Os synths auxiliam bastante nas colagens sonoras do UMO, mas são utilizados de forma contida e devida, sem cair nos vícios que assolam a música comercial de hoje. O baixista Jake Portrait completa a linda simbiose dos instrumentos de corda, chegando a se destacar em faixas mais melódicas do álbum homônimo, como “How Can U Luv Me?”.
Faixa: “Nerve Damage”

1. Shabazz Palaces
Gênero: Hip Hop/Psicodélico
Texto: Crítica do álbum Black Up, do Shabazz Palaces
Rap e jazz são dois gêneros que formaram casamentos estupendos, no passado e no presente. Exemplos como A Tribe Called Quest, De La Soul ou o próprio Digable Planets, de onde saiu Palaceer Lazaro (uma das mentes do Shabazz Palaces), só comprovam. Só que, aqui, ele resolveu se atualizar e injetou lo-fi, experimentalismos sonoros e vocais, sem falar nos efeitos dubstep e de smooth jazz que reforçam a estranheza de canções que falam de ‘ecos que professam o infinito’ ou ‘perguntas que podem ser respondidas com uma resposta só’. Já tinha visto isso no rap antes?
Faixa: “Swerve the Reeping of All that is Worthwhile (Noir Not Withstanding)”
