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João Brasil comenta faixa a faixa o EP ‘Táksi’

Produtor falou com exclusividade ao Na Mira sobre o projeto que divide com Domênico

Quando os músicos João Brasil e Domênico Lancellotti se encontraram no Rio Occupation London, um evento que funciona como uma espécie de ‘residência’ (como disse João) dos artistas cariocas na capital britânica, mal sabiam que nessas idas e vindas de Rio/Londres dariam início a um projeto conjunto.

01 Might Sound Noisy
02 Liquid Horse
03 Rite of Fire
04 Space Finger
05 Winner's Fanfare

Domênico, que lançou no ano passado o elogiado disco solo Cine Privê, foi chamado para tocar na inauguração do The Tanks, espaço de artes performáticas do renomado museu britânico Tate Modern. Para o projeto, ele chamou João Brasil, produtor de mash-ups que lançou no ano passado o EP Tropical Baile Tech. João já morava na Inglaterra há cerca de três anos por conta de um mestrado em Design de Mídias Interativas.

A partir de ensaios com gente de calibre na música eletrônica – como Gary Stewart (Massive Attack) e Dr. Das (baixista e ex-integrante do Asian Dub Foundation) – nasceu o projeto Táksi.

“Nosso set foi 100% improvisado e continua sendo assim”, disse João Brasil por e-mail ao Na Mira. “É um projeto bem experimental mesmo”.

Depois de mais duas apresentações em Londres, João Brasil foi ao Rio de Janeiro e decidiu retomar o projeto com Domênico, que toca bateria. “Liguei para o Domênico para marcar um estúdio de gravação para o nosso primeiro EP. Ele marcou um show na Audio Rebel e gravamos tudo ao vivo e improvisado, uma jam eletrônica. Depois, fiz uns overdubs e mixei as faixas aqui em Londres”, explica João.

Com cinco faixas, o EP Táksi vai do noisy-ambient ao funk carioca – de Aphex Twin e DJ Shadow a batidões de bailes. A bateria de Domênico às vezes envereda por caminhos do drum’n bass (como em “Might Sound Noisy”), cai pro dub-forró em “Liquid Horse” e lembra um pouco do dubstep cru do Burial em “Space Finger”, um downtempo que ecoa uma das mais célebres frases de bailes: ‘bota o dedinho pro altoooo!’.

Nessas experimentações improvisadas, João Brasil frita tudo após um ritual sampleado de Trap na música “Rite of Fire”, distorce aquele batidão clássico de baile funk inserindo corais ao fundo e quebrando o ritmo aos poucos em “Winner’s Fanfare”…

Muitas informações e referências se chocam em Táksi, o que só faz reforçar seu teor experimental.

Para entender (e viajar) um pouco mais do recém-lançado EP, João Brasil comenta o EP Táksi faixa a faixa com exclusividade ao Na Mira. Confira:

01 “Might Sound Noise”
“Foi um momento épico na gravação e no show, foi o momento mais metal. Nossos amigos se emocionaram e eu decidi trabalhar nela primeiro. O Breno Pineschi (Hardcuore) fez um video para ela (confira no final do post), é a nossa música de trabalho. O Domênico roeu a MPC. Fiz uns overdubs de synth e vozes”.


02 “Liquid Horse”
“Foi o momento funk carioca chapadão lento, usamos e abusamos de delays. Foi um momento bem dub paulada. Fiz overdubs de cavalos e synths”.


03 “Rite of Fire”
“Começa com o já clássico sample “Damn Son”, que é sucesso no Trap, e se transforma em um ritual de fogo. Vejo como um clima de transe e transformação, com synths, percussão e som de fogo”.


04 “Space Finger”
“Essa música fica muito boa com fone. É bem chapada e grave. Downtempo experimental”.


05 “Winner’s Fanfare”
“Uma das minhas favoritas. Começa com o sample do Rocky, que é muito comum nos bailes funks, só que mais lento que o normal. Depois vira uma coisa meio minimalista-experimental, meio Philip Glass meets Dan Deacon. Adoro a quebrada de ritmo do Domênico, é genial quando ele começa a tocar um ritmo de frevo”.

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Do EP, já tem um vídeo da faixa “Might Sound Noisy”, feito por Breno Pineschi:

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Confira também um vídeo de João Brasil e Domênico realizando o primeiro ensaio para o The Tanks, no Rio Occupation London:

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Tiago Ferreira

Jornalista bem-humorado. Gosto mesmo é de música torta, amalucada, fora de contexto e ritmo, mas também me emociono com Aretha, Ella, Elis, Nina, Otis, Marley, Bowie, Miles... Nada de acomodar-se ao conforto; prefiro combater o desconforto e provocar a discussão do que me conformar com as intempéries mundanas. Além do site Na Mira do Groove, estou à frente, junto com a sócia Beatriz Silva, do serviço Na Mira Assessoria, destinado a novos artistas e bandas musicais.

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