O tempo não passa, voa. Mal começamos 2011, e já chegamos na metade dele. E, como não poderia deixar de fazer, também segue a lista de 20 dos maiores destaques fonográficos do ano, com gás para integrar algumas daquelas famosas listas de melhores no fim do ano.

A maioria dos álbuns a seguir já foram resenhados aqui pelo Na Mira do Groove. Este moderador adoraria ter resenhado tudo, mas a carga de trabalho é gigantesca. Faz parte. Outras publicações também fizeram suas listas de ’20 Best So Far’, como a Paste Magazine e o Stereogum.

Update: Confira a lista definitiva dos 50 Melhores Álbuns Internacionais de 2011.

A lista segue em ordem alfabética:

Adele – 21

Gravadora: XL
Gênero: Soul/Pop

Sua voz encorpada junto ao piano clássico conquistou o mundo e até arrancou elogios de Prince, um dos maiores músicos de R&B de todos os tempos. Expectativas amorosas é o tema predominante da maioria das 13 faixas de 21, mas o que impera mesmo é a habilidade da cantora de tocar o ouvinte com sua doçura.

Faixa: “Someone Like You”

Anna Calvi – Anna Calvi

Gravadora: Domino
Gênero: Rockabilly/Flamenco

Folk, rockabilly e flamenco formam um casamento obscuro na voz de Anna Calvi, inglesa de família italiana que conquistou a crítica com seu tom imperioso. Como se já não fosse o bastante, Anna também resgata referências góticas e psicodélicas no seu primeiro álbum.

Faixa: “The Devil”

Arctic Monkeys – Suck It and See

Gravadora: Domino
Gênero: Rock

O grupo britânico uniu a maturidade inevitável que veio em Humbug com todo o vigor adolescente que mostrou o Arctic Monkeys ao mundo com seus dois primeiros álbuns. Apesar de alguns deslizes, Suck It and See exibe um grupo mais consistente e seguro ao procurar novas possibilidades musicais.

Faixa: “All My Own Stunts”

Beastie Boys – Hot Sauce Committee Pt. 2

Gravadora: Capitol
Gênero: Hip Hop

Desde 2004 sem lançar um disco com letras, o Beastie Boys surpreendeu os fãs ao retornar com todo aquele vigor que marcou seus melhores discos, como Ill Communication e Paul’s Boutique. Hot Sauce nos leva a uma viagem até os anos 90 sem soar nostálgico ou ultrapassado. Esse é os Beastie Boys que todos querem!

Faixa: “Lee Majors Come Again”

Bon Iver – Bon Iver

Gravadora: 4AD/Jagjaguwar
Gênero: Experimental

Bon Iver explora a música ambiente como ninguém, injetando forte carga emotiva em cada uma das 10 faixas do álbum homônimo com todos os benefícios dos instrumentos de corda e efeitos eletrônicos. Bon Iver é moderno, intimista e subjetivo. Transborda inventividade sem apelar para elementos antimusicais.

Faixa: “Calgary”

Booker T Jones – The Road From Memphis

Gravadora: XL
Gênero: Soul

Um dos maiores soulman vivos chamou o grupo The Roots para fazer remakes de grandes obras modernas da música negra, como “Everything Is Everything”, da Lauryn Hill, e “Crazy”, de Gnarls Barkley, além de composições próprias. A experiência de todos os artistas envolvidos (Beck assume a produção) fazem de The Road From Memphis um disco mais jovial do que você pensa.

Faixa: “Everything Is Everything”

Delicate Steve – Wondervisions

Gravadora: Luaka Bop
Gênero: Experimental/Psicodélico

A psicodelia moderna em seu extremo: talvez essa seja uma ótima definição para o disco do Delicate Steve. O músico cria um laço de aproximação com o trabalho de Dirty Projectors, navegando pelas correntes do folk, rock progressivo e a surf music em um trabalho bem arrojado.

Faixa: “The Ballad of Speck and Pebble”

Destroyer – Kaputt

Gravadora: Merge
Gênero: Soft Rock

Daniel Bejar, do The New Pornographers, acertou em cheio no nono álbum de seu projeto Destroyer com a impecável dinâmica entre o soft rock e instrumentos de sopro que formam uma sonoridade soturna. Elementos da new age também estão presentes, mas o Destroyer soa melhor quando parte para canções reflexivas e esvoaçantes, como a faixa-título.

Faixa: “Kaputt”

DJ Shadow – I Gotta Rokk (EP)

Gravadora: Island
Gênero: Trip Hop/Hip Hop

Em setembro deste ano, DJ Shadow deve lançar um novo álbum com novos trabalhos, mas já entregou um EP de qualidade indiscutível quando o assunto é hip hop. Sem nunca se tornar velho ou apenas referencial, DJ Shadow também explora o trip hop com batidas quebradas, renovando o estilo com bastante criatividade.

Faixa: “I Gotta Rokk”

Foo Fighters – Wasting Light

Gravadora: Roswell
Gênero: Rock

Melhor álbum do Foo Fighters em anos, Wasting Light celebra o peso que já devia estar incrustado na verve musical de Dave Grohl há muito tempo. Também pudera: na produção do álbum, ninguém menos que Butch Vig, que auxiliou na consistência de Nevermind. O ex-baixista do Nirvana, Krist Novoselic, também tocou em algumas faixas.

Faixa: “Back and Forth”

Gorillaz – The Fall

Gravadora: EMI
Gênero: Eletrônico/Britpop

Gravado no final do ano passado em um iPad, The Fall mostrou que a tecnologia pode muito bem estar aliada ao processo musical nestes tempos turbulentos. Apesar de não ter o mesmo primor de um Plastic Beach ou Demon Days, o álbum evidencia a importante conexão do Gorillaz com a inovação, seja na estética musical ou no método de composição.

Faixa: “Little Plastic Bags”

Lee ‘Scratch’ Perry – Rise Again

Gravadora: M.O.D. Technologies
Gênero: Dub

Fala-se pouco de um artista tão importante quanto Lee ‘Scratch’ Perry: em um período de três anos, o criador do dub, aos 75, já gravou seis álbuns e participou de diversos outros. Neste álbum, o lendário jamaicano explora bastante música ambiente e instrumentos de sopro junto ao tempo do dub, mostrando maturidade de sobra para que o gênero não entre em desgaste tão cedo.

Faixa: “Orthodox”

Panda Bear – Tomboy

Gravadora: Paw Tracks
Gênero: Experimental

Uma das mentes por trás do Animal Collective nos dá mais um exemplo de seu laboratório sonoro: Panda Bear (Noah Lennox) faz uma mescla das possibilidades vocais exploradas por Brian Wilson com arranjos inovadores e absurdamente estranhos, suscitando em uma das cenas mais interessantes da atualidade.

Faixa: “Last Night at the Jetty”

Radiohead – The King of Limbs

Gravadora: XL/TBD
Gênero: Experimental

Antes que venham as perguntas devido à minha crítica para o álbum, explico antecipadamente: Radiohead tem um dom indescritível de causar alvoroço e estranheza, e eu caí nessas amarras para descrever The King of Limbs. Tanto que, ‘as soon as possible’, irei publicar publiquei uma segunda crítica desse registro que pegou todos de surpresa não apenas por ser lançado abruptamente, mas por seguir rumos sonoros de difícil explanação.

Faixa: “Lotus Flower”

Shabazz Palaces – Black Up

Gravadora: Sub Pop
Gênero: Hip Hop

Bases sombrias e inovações vocais são uma das principais características do Shabazz Palaces, que reinventou o hip hop com elementos do dubstep sem a pretensão de apagar a chama vivaz das boas rimas. O álbum foi lançado recentemente e já causou grande impacto pela ousadia e pelos excelentes resultados colhidos.

Faixa: “An Echo From The Hosts That Profess Infinitum”

The Bongolian – Bongos For Beatniks

Gravadora: Blow Up
Gênero: Funk

Um funk grooveado impulsionado apenas pelo músico britânico Nasser Bouzida, que toca órgão, percussões, guitarras e diversos outros instrumentos que resultam em um som vibrante e impulsivo. The Bongolian trabalha inúmeras profusões do funk. Tanto que na primeira faixa, “Riviera Affair”, parece que vamos ouvir um funk carioca. Pesado!

Faixa: “Riviera Affair”

The Streets – Computers and Blues

Gravadora: Atlantic/679
Gênero: Hip Hop

O hip hop ficou órfão após Mike Skinner, o cara por trás do The Streets, anunciar que este é o último álbum com o projeto. De qualquer forma, o rapper britânico entrega um derradeiro classudo com diversas incursões eletrônicas e rimas despretensiosas que o colocaram no topo da cena em seu país e garantiu o devido reconhecimento pelo mundo.

Faixa: “Going Through Hell”

Toro Y Moi – Underneath the Pines

Gravadora: Carpark
Gênero: Chillwave

Pretensioso, o produtor Chaz Bundick criou a chillwave revisitando o funk, disco e o britpop. Ele disse em uma entrevista que sempre quis soar como uma versão hip hop do My Bloody Valentine. Digamos que ele tenha conseguido, se levarmos em consideração que Underneath the Pines é bem cru como o rap e quase tão soberbo quanto as experimentações do grupo que explorou o loop em Loveless na década de 90.

Faixa: “Still Sound”

tUnE-yArDs – w h o k i l l

Gravadora: 4AD
Gênero: R&B/Experimental

Pode ter certeza: w h o k i l l é um dos registros mais incríveis do ano. Merrill Garbus tem uma voz que combina muito bem com o funk quebrado e a crueza do folk, criando um dos álbuns mais bem-sucedidos no quesito experimentação. Acertou em cheio ao desviar das facilidades eletrônicas e partir para algo mais orgânico, revisitando e fazendo jus ao rhytm’n blues.

Faixa: “Gangsta”

TV On The Radio – Nine Types of Light

Gravadora: Interscope
Gênero: Rock/R&B

Não importa o caminho que o TV On The Radio trilhe, o resultado sempre será surpreendente. E é justamente isso que Nine Types of Light prova ao baixar o tom para uma sonoridade mais sentimental em uma indescritível viagem sonora. Infelizmente, o grupo teve uma perda lastimável neste ano: a morte do baixista Gerard Smith, que contribuía com seus slaps circulares.

Faixa: “New Cannonball Run”