20 Maiores Álbuns da Década de 2000 – Parte I

Na primeira parte, confira os álbuns de destaque entre os anos 2000 e 2004

A década de 2000 representa uma grande mudança no cenário pop musical. Foram anos prolíficos para gêneros como hip hop e música eletrônica, e o rock pôde respirar um pouco melhor com o revivalismo de bandas vintage como Strokes e Arctic Monkeys.

O que segue abaixo é mais uma lista pessoal de discos que impactaram tanto os ouvidos deste moderador, assim como boa parte da imprensa especializada. Decidi mesclar discos nacionais e internacionais e deixá-los em igual patamar, pois seria uma grande injustiça – quiçá até ufanismo – achar que escutei a maioria dos álbuns bons em cerca de 10 anos.

A lista dos 20 maiores álbuns dos anos 2000 está dividida por ano. Cada ano é representado por dois álbuns, que superaram arduamente o teste do tempo e de alguma forma configuraram ou ajudaram a formatar um período obscuro e improvável no meio musical. Na primeira parte, confira os melhores entre os anos 2000 e 2004.

Veja também: Os 20 Maiores Álbuns da Década de 2000 – Parte II (vou subir daqui a pouco, aguarde!)

Confira a lista e não deixe de opinar:

Outkast – Stankonia (2000)

Gênero: Hip Hop
Gravadora: La Face

Foi bom enquanto durou. Hoje em dia, é praticamente certo que Big Boi e Andre 3000 sepultaram de vez o Outkast, uma das melhores surpresas do hip hop. Talvez as diferentes propostas musicais acabou os separando, mas Stankonia deixou uma aura na música pop em geral que poucos conseguiriam entender. Como uma dupla conseguia misturar funk futurista (“Gasoline Dreams”), trazer arranjos inovadores com claras influências psicodélicas, como pode-se ver em “Xplosion”, e oferecer um dos melhores hits da década com “Ms. Jackson”?

Destaque: “Ms. Jackson”



Radiohead – Kid A (2000)

Gênero: Eletrônico/Experimental
Gravadora: Capitol

Já afirmei aqui que, pessoalmente, não gosto muito do Radiohead. Mas seria um disparate para qualquer crítico de música não reconhecer a renovação que Thom Yorke e seu excelente grupo propiciou para a música. Se em OK Computer eles mostraram que arranjos podem sim estar a favor de sua música, em Kid A o Radiohead decide assassinar o rock. Sim, foi exatamente isso que o quinteto fez ao buscar experimentações musicais que fossem além da expectativa gerada pelos fãs ao aprofundar em temas existenciais como “How To Disappear Completely” e “Idioteque”.

Destaque: “The National Anthem”



Jay-Z – The Blueprint (2001)

Gênero: Hip Hop
Gravadora: Roc-A-Fella

Quando perguntaram para Jay-Z qual era seu álbum favorito dos anos 2000, não teve papas na língua: ‘meu Blueprint’. Ele não mudou o hip hop; conseguiu requentá-lo com bases mais funk-jazzísticas, algo que em nada foge dos preceitos estipulados lá atrás por Afrika Bambaataa e Chuck D. “Takeover” é a mais pura música de salão, “Jigga That Nigga” é tão dançante como a letra sugere e “Hola Hovito” tem uma base estarrecedora, com um solo de fundo de sax que apenas justifica o verdadeiro peso de Jay-Z no hip hop. Ele é o maioral e ponto final.

Destaque: “U Don’t Know”



The Strokes – Is This It (2001)

Gênero: Rock
Gravadora: RCA

Foi um verdadeiro estrondo quando Julian Casablancas e companhia apareceram pela primeira vez na MTV. Finalmente acharam um grupo para depositar todo o legado do rock’n roll clássico, que muitos juravam que já estava sepultado junto com a cova de Kurt Cobain. Fato é que os Strokes é mais uma banda revivalista do que meramente revolucionária, e é aí que está toda a graça. Os vocais contidos de Casablanas lembram muito Lou Reed e canções como “Last Night” e “Barely Legal” foram repetidas inúmeras vezes por uma geração que ainda credita aos Strokes o epíteto de ‘salvadores do rock’.

Destaque: “Take It Or Leave It”



Queens Of The Stone Age – Songs For The Deaf (2002)

Gênero: Rock
Gravadora: Interscope

Se essa geração dos anos 2000 estava sedenta por rock, acho que o Queens Of The Stone Age, com uma ajuda nada pomposa do ex-Nirvana Dave Grohl na bateria, fez por onde com o lançamento de Songs For The Deaf. Josh Homme não dosa em quase nada suas guitarras distorcidas e entrega canções pesadíssimas como a faixa-título, a enigmática “Hangin’ Tree” e o hit ‘estrada-em-alta-velocidade’ de “Go With The Flow”, uma das canções responsáveis por me fazer gostar de rock (e que tive o prazer de ouvir no SWU).

Destaque: “No One Knows”



Racionais – Nada Como Um Dia Após Outro Dia (2002)

Gênero: Rap
Gravadora: Zambia

Racionais elevou o hip hop nacional a um patamar além da linguagem de ‘favela-para-favela’ e, depois de cinco anos de espera após o já antológico Sobrevivendo No Inferno, mostraram uma roupagem nova para o cenário, mas que ainda assim causou impacto positivo por se tratar de ninguém menos que os responsáveis pela configuração e consolidação do rap no Brasil. Aqui, Mano Brown está mais apregoado à religião (naquele momento, tinha virado evangélico) e tenta partir para o lado da conscientização mesmo quando narra episódios trágicos como em “Eu Sou o 157″.

Destaque: “Jesus Chorou”



Los Hermanos – Ventura (2003)

Gênero: MPB/Rock Alternativo
Gravadora: BMG

Eles começaram como mais uma das piores bandas do hype com o hit “Ana Julia” até se amadurecerem com o impactante Bloco Do Eu Sozinho. Mas é em Ventura que vemos os hermanos em seu auge, misturando marcha em seu som (“O Vencedor”), melancolia dançante (“Tá Bom”) e o improvável hit de “Cara Estranho”, graças ao clipe ainda mais estranho que ganhou grandes proporções na programação da MTV. O bom é que em todos os discos dos Los Hermanos, mais evidentemente em Ventura, há duas facetas. As baladas intrigantes de Rodrigo Amarante, como a linda “Último Romance”, contrapõem-se emocionalmente com os sussurros justapostos de Marcelo Camelo em “A Outra”.

Destaque: “O Vencedor”



The White Stripes – Elephant (2003)

Gênero: Rock/Blues
Gravadora: XL Records

Já coloquei este disco na seção #Grandes Álbuns, e não canso de repetir que a fórmula Jack White de dar nova roupagem ao blues e rock moderno não foi apenas a receita de sucesso do White Stripes; foi a verdadeira aura do rock. Hoje em dia os mais novatos poderão dizer, com classe, que acompanharam a trajetória de uma banda clássica, responsáveis por dois hits que ficaram e ainda ficarão encravados na memória de qualquer simpatizante. Claro que falo de “Seven Nation Army” e “The Hardest Button to Button”.

Destaque: “Seven Nation Army”



Kanye West – The College Dropout (2004)

Gênero: Hip Hop
Gravadora: Roc-A-Fella/Def Jam

Este pode ter sido o debut de Kanye West, mas há tempos o músico já se destacava como produtor. Antes de lançar The College Dropout, Mr. West trabalhou duro durante as mixagens e pós-produção de The Blueprint, do Jay-Z. Neste trabalho, decidiu fugir das temáticas gangsta recorrentes para falar de maneira particular sobre temas como mulher e consumismo (“All Falls Down”), além de um dos hinos mais interessantes da década, “Jesus Walks”, um crivo de fé que serve para dar apoio a uma realidade turbulenta.

Destaque: “Jesus Walks”



Arcade Fire – Funeral (2004)

Gênero: Rock
Gravadora: Merge

O clima é denso, o volume das guitarras diminuem e entra em cena a voz sepulcral de Win Butler, contrapondo ao clamor rasgado de Régine Chassagne. Tudo isso com uma big band de suporte, formando o septeto mais conhecido e admirado da atualidade. Nunca falar sobre morte foi abordado de forma tão esquisita e até mesmo interessante na música. Os temas de “Neighborhood” são verdadeiras missas indie, com destaque para a introdutória “Tunnels” e a “Power Out”. De alguma forma, você vai acabar criando uma identificação com este álbum, seja ouvindo a balada “Crown Of Love” ou o modesto hit “Wake Up”.

Destaque: “Wake Up”

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Tiago Ferreira

Jornalista bem-humorado. Gosto mesmo é de música torta, amalucada, fora de contexto e ritmo, mas também me emociono com Aretha, Ella, Elis, Nina, Otis, Marley, Bowie, Miles... Nada de acomodar-se ao conforto; prefiro combater o desconforto e provocar a discussão do que me conformar com as intempéries mundanas. Além do site Na Mira do Groove, estou à frente, junto com a sócia Beatriz Silva, do serviço Na Mira Assessoria, destinado a novos artistas e bandas musicais.

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