30 Melhores Músicas Nacionais de 2014

Diversos nomes que a História deve compensar tardiamente. E, claro, alguns nomes que você já adivinharia por conta da identificação com o Na Mira

*Arte sobre a capa do single “North”, do Lingering Last Drops


Este foi o ano em que a trilha “País do Futebol”, de MC Guime, deveria ser definidora de 2014, mas bastou um 7 a 1 pra calar não só o funkeiro, mas toda uma nação que via na Copa do Mundo a redenção que a equipe brasileira de futebol deve à população desde 2006.

Veio o ressentimento. A dor. Então, veio Pablo e a música de corno mais inspiradora desde Reginaldo Rossi (“Homem Não Chora”). Sim, choramos, porque 2014 trouxe mais decepções que alegria, e isso vale mesmo aos mais afeitos à música atualmente produzida.

Dá pra citar grandes canções do ano? Poucas. Ficaria com “Medo da Rua”, do Trummer SSA; alguma despretensão do Wallace Costa; e o 1º lugar, que você verá ao navegar pelas páginas.

O certo é que nada é certo. Ora, algumas dessas 30 melhores canções nacionais cresceram e crescerão ainda mais no decorrer dos anos! Como algumas são de grupos tão desconhecidos, arrisco dizer que a História, por mais que seja punitiva, irá recompensá-los daqui em diante. Foi assim com alguns dos nossos maiores ídolos (vide Itamar Assumpção e Di Melo); será também assim com Attöm De, Sereialarm e doo doo doo.

De qualquer forma, boa parte das canções os leitores do Na Mira já devem conhecer. Para ouví-las, basta clicar no nome da faixa para ser redirecionado a um link do YouTube, Bandcamp ou SoundCloud, que irá rodar a canção.

Inicialmente a proposta era fechar com 40 canções, a exemplo da lista de melhores músicas internacionais de 2014. Mas achamos que 30 é um número suficientemente representativo de um ano agitado, polêmico e, certamente, marcante.

Divirta-se:

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30. “Collide”


Headless Buddha

Álbum: Soul River (EP)
Gênero:
Rock Psicodélico/Alternativo
Gravadora:
Independente

Download via Bandcamp

Psicodelia e dreampop, chillwave e rock alternativo. Toda essa junção aconteceu após o líder do Headless BuddhaMauro Sanches, ver a cabeça da estátua de Buda se espatifar no chão. Das 6 viajantes faixas do EP Soul River, “Collide” se destaca pelas viradas sônicas que muito remetem a decisões musicais que Kevin Parker teria. É a minha escolha óbvia para abrir qualquer próximo show do Tame Impala – de preferência, com amplificadores de alta qualidade, “Collide” funciona e atrai logo de primeira.


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29. “Last Song”


Dr. HANK ft. DJ Anderson

Álbum: Voa
Gênero:
Disco/Rock alternativo
Gravadora:
Independente

O álbum Voa foi lançado no finalzinho de 2013; obviamente, poucos deram devido destaque, pecado que se estendeu durante todo 2014. O disco é longo e pretensioso: tem 16 faixas e vai do ska ao disco-funk, com letras em inglês. “Last Song” é um dos takes mais preguiçosos, mas com vocais inspirados de Renan Queiroz e participação de DJ Anderson, do Ultramen. É feito para as pistas e tem proximidade com o rock alternativo que tanto tem caído no gosto da turma indie.


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28. “A Dream Denied”


Superalma Project

Álbum: The Weak Shall Inherit the Earth (EP)
Gênero: Dark-ambient/IDM
Gravadora: Independente

Download via Bandcamp

O dark-ambient continua a crescer na produção nacional, e um de seus mais novos expoentes, os mineiros do Superalma Project, seguem uma cartilha bem diferente do que você já ouviu dos projetos de Cadu Tenório, Bemônio ou DEDO. Há uma eletrônica com mais teor de trilha sonora que das pistas; uma proximidade bem grande com a obra-prima Suspiria (1977), de Goblin. É na primeira faixa do EP The Weak Shall Inherit the Earth que Igor Almeida, o cara por trás de pelo menos 95% do projeto, impõe a sua sonoridade. Mais retilíneo que seus contemporâneos – e também mais amedrontador em alguns aspectos – o Superalma Project já cria boas expectativas de um poderoso disco vindouro. E, se ainda houver cineastas brazucas interessados na vertente terror, prestem atenção neste soundtrack.


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27. “Cinza”


Allen Alencar

Álbum: Quasar + Cinza (EP)
Gênero:
Latin-rock instrumental
Gravadora:
Independente

Download gratuito

A percussão nos remete a um som africano, mas a grande onda do lado B de Quasar + Cinza é Buena Vista Social Club. Sem os lendários cubanos, claro, e sem alguns instrumentos. Mas é a levada caribenha, de um mar que se quebra em maravilhas, que percebemos o delinear das guitarras do sergipano Allen Alencar, integrante dos grupos de Sombra, Meno del Picchia, entre outros. “Cinza” está mais pra azul marinho: nos remete a férias, descanso, lazer, diversão.


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26. “North”


Lingering Last Drops

Álbum: North (single)
Gênero:
Eletrônica/Avant-garde
Gravadora:
Independente

Download via Bandcamp

Não, não é uma banda indie. Sim, é uma banda brasileira. As referências se embaralham na cabeça de quem escuta o Lingering Last Drops pela primeira vez, e a tendência é se acentuar conforme você desvenda o projeto de Carlos Paraná. Em “North” temos a eletrônica fundindo-se com o avant-garde num esforço pop. O agrado fica por conta das acertadas melodias e da bateria contida e direcional. As direções ora rítmicas, ora tortuosas das guitarras são erigidas com rigor técnico de quem estuda e respira trilhas sonoras, melodia, dodecafonia e ambient. Está tudo ali, acessível, pronto para ser apreciado (obs: o Lingering Last Drops é uma banda que trabalha com o Na Mira Assessoria).


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25. “Solarium”


Sereialarm

Álbum: Bem Aéreo
Gênero:
Rock
Gravadora:
Independente

Download via Bandcamp

Neste ano houve lançamentos importantes na música brasileira, mas não me lembro de ter visto o Sereialarm entre os destaques. Não parou na lista do Na Mira também, mas não foi por esquecimento; pois, se houvesse um 31º lugar, decerto que Bem Aéreo estaria lá. Seja como for, o grupo de Marcos Andrada e Otavio Bertolo demorou 14 anos para chegar a este disco, e o resultado é bem próximo de um radiofônico psicodélico. Entraria numa boa na programação de uma rádio 89.1 FM – algo que, torçamos, pode até acontecer. Comece por “Solarium”.


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24. “Espera”

Romulo Fróes part. Juçara Marçal

Álbum: Barulho Feio
Gênero: Música Torta Brasileira
Gravadora: Independente

Barulho Feio é um álbum seco e acinzentado. O Na Mira também foi incolor ao falar sobre o disco, por isso a opção por escolher a música mais próxima de colorido nesta lista. Não significa, que fique claro, uma oposição à anticanção que Romulo Fróes mirou no álbum. É que realmente funcionou o dueto com Juçara Marçal – que também lançou neste ano o elogiadíssimo a href=”http://namiradogroove.com.br/criticas/jucara-marcal_encarnado” target=”_blank”>Encarnado. É a velocidade de uma relação que está em jogo na composição. O irônico é que eles repetem o termo ‘devagar’ numa velocidade rítmica que não hesita em ser contrastante. Mesmo na duração da música, ‘quando vê já foi embora’: são apenas 1min53s de irrestrita complexidade.


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23. “Sex & Elephants”


Huey

Álbum: Ace
Gênero: Rock instrumental/Stoner-Rock
Gravadora: Sinewave

Os paulistanos da Huey aprenderam bem a lição deixada por Neurosis e Isis – cujo baterista, Aaron Harris, assina a produção de Ace ao lado da banda. Viradas potentes de bateria e uma dinâmica forte de riffs assombrosos, com potência de agradar tanto aqueles que são fissurados em heavy metal quanto os que curtem numa boa as faixas instrumentais de Queens of the Stone Age. É a paulada mais forte do rock instrumental brasileiro desde a dissolução do Macaco Bong.


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22. “Raivoso Cão”


Attom Dë

Álbum: Expressar​-​me é Preciso no Meu Tempo Precioso (EP)
Gênero: Rock/Hardcore
Gravadora: Independente

Download via Bandcamp

Falar de hardcore no Brasil infelizmente é piada pronta; quase sempre é preciso voltar no tempo para justificar bons motivos para celebrá-lo. O grupo Attöm De não carrega o peso de salvá-lo, mas tem força suficiente para lhe recobrar a moral. Eles lançaram apenas um EP neste ano: de quatro faixas, todas para serem ouvidas no talo. Principalmente esta, “Raivoso Cão”: potente, gutural, vozes quase irreconhecíveis, bateria ágil pra cacete. Angústia e frustração também entram no caldo, e isso só torna a canção e o projeto ainda mais necessários.


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21. “You’ve Got Everything Except One Thing”


Vinolimbo

Álbum: I Never Stepped On The Cracks ’cause I Thought I’d Hurt My Mother (EP)
Gênero: Eletrônico/Bass Music
Gravadora: NAS

Download via Soundcloud

Vinolimbo é mais um dos bons beatmakers que têm se aflorado pelo Brasil. Diferente de CESRV, une ambiências que incluem violinos clássicos, drum’n bass, pianos em modal e spoken-word alheio. Esta é a grande canção de seu EP I Never Stepped On The Cracks ’cause I Thought I’d Hurt My Mother e funciona como um mantra digital. Menos turntablism e mais organicidade, ainda que não saibamos qual o modus operandi feito por Murilo Mattei, único membro do projeto. A forma com que tantas expressões assim são reunidas, assimiladas e convergidas é típica de um rapaz com ótimos tinos musicais, algo que se expressa ao longo das demais 6 curtas faixas. Murilo é dono de um selo, NAS, que diz estar atento à ‘música urbana contemporânea’. Eis uma de suas glórias.



 

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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010 – que, além de site, também é canal do YouTube e Embaixador Spotify. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e repórter de entretenimento, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).


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  1. Gilberto Mercês 1 junho, 2015 at 15:29 Responder

    Olá, Tiago!

    Parabéns pelo seu belo trabalho. Conheci seu blog numa pesquisa no google sobre Mavin Gaye. Daí, descobri outras “pérolas” e fiquei encantado com a excepcionalidade do seu bom gosto. Não pesquisei com profundidade, mas, o farei logo que tiver tempo, assim como irei indicar para alguns amigos admiradores da boa música.

    Forte abraço e, mais uma vez, Parabéns!

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