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Os 30 Melhores Discos Nacionais de 2013

Primeiro, as menções honrosas a 10 discos. Depois, a lista completa da 30ª a 1ª posição

Adoram enfatizar a pluralidade da música brasileira, mas ainda reina um comportamento conservador quando se avalia o que realmente está se produzindo de novo por essas terras.

Contemplar listas que não saem do espectro Los Hermanos-Criolo-Tulipa Ruiz ao falar de música nova passou de mera redundância faz tempo: é o puro reflexo de pobres análises que escondem produções muito mais interessantes pelos muitos cantos deste País.

Talvez porque as possibilidades tecnológicas revelaram uma gama de inquietos que atropela qualquer senso de tradição brasileira – espécie de carma que polui a forma de como certos críticos avaliam o que acontece de novo.

Sim, Caetano Veloso e Jorge Ben continuam influentes mesmo em suas produções mais extravagantes, mas a música estrangeira e experimental é que tem rendido melhores frutos para essa nova safra.


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Na lista dos melhores discos nacionais de 2013 do Na Mira, procuramos mapear outros termos que ainda parecem inexistentes para a academia e parte da crítica especializada. O tradicional ainda se faz presente, assim como a consolidação de cenas como o samba paulistano, o rock psicodélico em variadas vertentes e a música torta brasileira (MTB), além de um processo de ressignificação da produção lo-fi tupiniquim, cujas portas foram abertas pelas coletâneas da Hy Brazil e do Festival Novas Frequências, ambos organizados por Chico Dub.

Da mesma forma que fizemos no ano passado, primeiro apresentamos as menções honrosas em ordem alfabética de artistas para, depois, colocar em retrospecto do trigésimo ao primeiro neste mesmo post.

Aventure-se:


Pelos Trópicos

Andreia Dias

Gravadora: Scubidu Records
Gênero: MPB
Texto: “Disposta a seguir os múltiplos caminhos da música brasileira”

No terceiro disco, a cantora Andreia Dias visitou diversos estados brasileiros (principalmente das regiões Norte e Nordeste) e gravou com grupos como Cabruêra (PB) e Banda Eek (AL) num disco que revisita gêneros como carimbó (“Beijin na Nuca”) e rock’n roll (“Aquilo”). Isso Andreia fez da forma mais pessoal possível, permitindo que a magia de cada influência transfigure naturalmente o andamento de cada canção. Vale ressaltar a boa produção da cantora em parceria com Arthur Kunz, do Strobo.

Ouça: “Beijin Na Nuca”



Mulher Cromaqui

Catarina

Gravadora: Independente
Gênero: Alternativa/Eletrônica
Texto: Das picapes para as pontas dos palcos

Download gratuito via site oficial

Antes de Gaby Amarantos se firmar como uma das principais vozes do tecnobrega, Catarina DeeJah (que assina apenas como Catarina) já experimentava com o gênero de uma forma bem diferente. O trabalho como DJ lhe garantiu a ousadia de inserir elementos de drum’n bass, iê- iê- iê e carimbó em canções sem medo se soarem despudoradas. Em “Kay Fora”, ela realmente manda o rapaz tomar naquele lugar, ao mesmo tempo em que denuncia a falsidade por trás dos sorrisos de Monalisa em “Raça Desunida” (‘Eita raça desunida/Feminismo não existe’), espécie de Karina Buhr entre uma bagunça de batidas, sintetizadores e reverbs.

Ouça: “Kay Fora”



One Thousand Sleepless Nights

CESRV

Gravadora: Beatwise Records
Gênero: Hip Hop/Instrumental
Texto: Muito mais que future beats (Noisey)

Download via BandCamp

CESRV é um projeto de Cesar Pierri, um dos donos do selo Beatwise Records, que já tem uma dezena de trampos em seu catálogo em pouco menos de um ano de existência. One Thousand Sleepless Nights sucede os EPs Chances (2012) e Nowhere (2013), fazendo colagens de samples de funk-soul que vão de Isaac Hayes (“Dawn”) a Cassiano. O resultado é um hip hop instrumental que sugere acessibilidade dentro da mesma proposta do revolucionário …Endtroducing (1996).

Ouça: “Dawn”



A Ponte

Combo X

Gravadora: Independente
Gênero: Manguebit
Texto: Percussão é o epicentro no som do Combo X

Quem disse que o manguebit se foi com a trágica morte de Chico Science? Se a pausa temporária do Nação Zumbi lhe incomoda muito, saiba que, além dos conhecidos Jorge DuPeixe, Pupillo, Dengue e Lúcio Maia manterem bem-sucedidos projetos paralelos, o percussionista Gilmar Bolla 8 também deu início a uma nova empreitada. Combo X dá o devido peso às percussões, seguindo a mesma receita estética que deu autenticidade ao NZ. Participam do álbum de estreia do grupo os rappers Flávio Renegado (“Rua do Condor”) e Marechal (“Vestido Comestível”), além do produtor e guitarrista BiD (“Duas Terras”) e a cantora Thalma de Freitas (“São José”).

Ouça: “Rua do Condor”



Horning

Coyote Indigo

Gravadora: Independente
Gênero: Psicodélico/Space-rock
Texto: Novos rumos para a psicodelia nacional

Download via Hominis Canidae

Psicodélico e barulhento, o disco de estreia do Coyote Indigo é diletante e corrosivo. Admiradores de The Jesus & Mary Chain e Spaceman 3 vão assimilar na hora as erosões sonoras de “Bloom and Blow” e “A Dream About Blonde Mermaids”, apesar do único membro permanente do grupo, Marcel Willow, entregar referências mais contemporâneas como Pond e Warpaint (talvez para deixá-lo mais acessível).

Ouça: “Gentle Sun 9″



Feras Míticas

Garotas Suecas

Gravadora: Independente
Gênero: Psych-rock
Texto: Crítica Na Mira do Groove

O segundo disco dos paulistanos do Garotas Suecas é menos festeiro que a estreia Escaldante Banda (2010). Isso porque ser cosmopolita carrega uma complexidade que não pode ser resumida apenas nos passos dos pés. “Bucolismo (Um Dia No Campo)” reflete o sentimento estranho dessa sensação num funk marcha lenta, enquanto “A Nuvem” retrabalha a imagem de terra da garoa com a imponência do trovão (interpretado pela rapper Lurdez da Luz). Feras Míticas também expande as entradas musicais dos integrantes: além de Guilherme Sal, também cantam Irina Bertolucci (“Pode Acontecer”), Nico Paoliello (“Bucolismo”) e Tomaz Paoliello, sem deixar de mencionar as participações especiais de Kid Congo Powers (“L.A. Disco”) e Paulo Miklos na inédita dos Titãs “Charles Chacal”.

Ouça: “Eu Avisei Você”



Mils Criança

Hurtmold

Gravadora: Submarine Records
Gênero: Math-rock/Instrumental
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Encontre no site da Submarine Records

Lançado no final do ano passado, o sexto disco do Hurtmold parece estabelecer equações mais curtas em seu math-rock. Talvez por conter uma energia punk, talvez por trabalhar outras formas de dinâmica, Mils Criança é o Hurtmold sem a necessidade de responder perguntas óbvias levantadas a cada trabalho lançado pelo grupo. Faixas como “Chavera” e “Tomele Tomele” tomam impulsos diferentes entre si em alguns momentos, mas revelam um potencial de execução instrumental de rara comparação em nossos trópicos.

Ouça: “Tomele Tomele”



Distância (EP)

Lupe de Lupe

Gravadora: Popfuzz Records
Gênero: Shoegaze/Noise-pop
Texto: Mais firmeza em direção a uma sonoridade própria

Download via BandCamp

Os mineiros do Lupe de Lupe conseguiram quebrar a trincheira do rock nacional com letras em português. Claro que a opção de estourar com guitarras massivas ao invés de refrãos enfadonhos ajuda e muito na trajetória de uma banda que valoriza o termo noise em busca de qualidade. Petardos como “Areia Suja” e a faixa-título não poupam o ouvinte de uma agressividade estrondosa, que revela uma cena shoegaze brasileira bem frutífera – e, o melhor, com letras em português, pra cantar junto.

Ouça: “Os Dias Morrem”



Esses Patifes

Ruspo

Gravadora: Um Distante Maestro
Gênero: MPB
Texto: “É preciso ouvir para sentir e entender”

Download pelo selo Um Distante Maestro

Assim como Andreia Dias, o jornalista e pesquisador Ruy Sposati também viajou por diversos estados brasileiros (São Paulo, Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul) antes de entregar um disco. No entanto, o espírito itinerante aqui resulta em experiências para as composições, e não por novas buscas estéticas. A voz intimista de Sposati, único membro-permanente do Ruspo, roteiriza aventuras enigmáticas entre paisagens, pessoas e cenários que surgem agrupados a arranjos que fazem valer a boa influência de Clube da Esquina e Egberto Gismonti em faixas como “Belém, Belém” e “Barão”.

Ouça: “Belém, Belém”



Tribunal do Feicebuqui (EP)

Tom Zé

Gravadora: Independente
Gênero: MPB Experimental
Texto: Do comercial da Coca Cola a um novo EP

Download via site oficial

São mais de 40 anos de carreira musical e cerca de 15 anos desde que Tom Zé foi redescoberto por David Byrne. Houve culto a discos clássicos como Todos os Olhos (1973) e Estudando o Samba (1976), mas bastou um comercial para a Coca-Cola para que uma credibilidade arduamente construída fosse pelo ralo. Tom Zé ficou incomodado e respondeu aos ‘haters’ com parceiros musicais que sabem dialogar com esta nova geração – caso de Emicida, que cita Dolly e suco de forma genuína em “Tom Zé Mané” e da letra de Tim Bernardes (O Terno) que gerou o funk “Papa Francisco Perdoa Tom Zé”. Parte da renda do EP, que tem cinco faixas, foi prometida para a Sociedade Lítero-Musical 25 de Dezembro, de sua cidade-natal, Irará (BA).

Ouça: “Tom Zé Mané”


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Tiago Ferreira

Jornalista bem-humorado. Gosto mesmo é de música torta, amalucada, fora de contexto e ritmo, mas também me emociono com Aretha, Ella, Elis, Nina, Otis, Marley, Bowie, Miles... Nada de acomodar-se ao conforto; prefiro combater o desconforto e provocar a discussão do que me conformar com as intempéries mundanas. Além do site Na Mira do Groove, estou à frente, junto com a sócia Beatriz Silva, do serviço Na Mira Assessoria, destinado a novos artistas e bandas musicais.

  1. Reinaldo Albuquerque 3 dezembro, 2013 at 10:52 Responder

    Excelente lista até o momento, e confio no trabalho do Tiago para o que está por vir.

    Um lançamento nacional desse ano que senti falta de ter sido mais comentado foi “Torcidas de Futebol do Nordeste”, da banda Mângo, de Santo André/SP. Foi um som que me surpreendeu por soar atual e natural. Fica a dica pra uma ouvida.

    http://www.youtube.com/watch?v=xoVcLXgsbak
    http://rateyourmusic.com/release/ep/mango_f3/torcidas_de_futebol_do_nordeste/

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