30 Melhores Discos Internacionais de 2014

Grime, R&B, free-jazz, power-ambient, rap, dancehall, rock… pra variar, mais uma lista bem eclética

*Arte sobre a capa do disco Burnt Offering, do The Budos Band


Diga que foi um bom ano para o indie-rock, que direi o contrário. Foi bom para o indie-rock apenas para quem só respira indie-rock.

O fato é que 2014 gerou muitas expectativas por conta de colaborações improváveis – Brian Eno e Karl Hyde, Scott Walker e Sunn O))), Freddie Gibbs e Madlib, Stephen O’Malley e Oren Ambarchi. E, claro, teve os retornos de experientes como Medicine, Shellac, Einstürzende Neubauten, Godflesh, Neneh Cherry e, para quem duvidava, Prince.

Muitas expectativas foram por água abaixo no quesito qualidade, incluindo FKA-twigs e Caribou (algo que parece ser um caso excepcional do Na Mira, já que na maioria de listas de melhores de 2014 ambos estão inclusos).

Se você já acessa o Na Mira, não é preciso dizer que as nossas listas têm como prerrogativa oferecer algo novo e válido, ao invés de fugir dos mesmos nomes que se destacam naqueles sites que você conhece.

Claro, alguns discos bem falados também entraram na nossa seleção. Poxa, renegar RTJ2, Popular Problems, SYRO daria vazão a comentários do tipo ‘só porque é conhecido, vocês desprezam’.

Não desprezamos nada; ao contrário, gostamos igualmente, porque é bom e blábláblá e é isso aí.

(Obs: ao contrário das listas anteriores, não teremos menções honrosas neste ano.)

Confira a lista dos 30 melhores discos internacionais de 2014:

Confira também:

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30. St. Vincent


St. Vincent

Gravadora: Loma Vista
Gênero: Art-rock
Data de Lançamento: 24 de fevereiro de 2014

As coisas passaram a mudar para Annie Clark após Strange Mercy (2011): seu trabalho obteve maior reconhecimento a ponto de chegar a gravar, no ano seguinte, com o renomado David Byrne em Love This Giant. Seu novo disco homônimo não foge exatamente do que a cantora mostrou em trabalhos anteriores. A essência é art-rock com arroubos ousados de guitarra. A diferença é que St. Vincent é podado numa linguagem mais criativa e, estranhamente, mais acessível. Não que seu público vá aumentar exponencialmente após o disco; por outro lado, se os curiosos ainda retorcem o nariz, eis uma boa hora para rever conceitos.

Ouça: “Birth in Reverse”


brian-pennington_fauxsrite

29. Fauxsrite


Brian Pennington

Gravadora: Independente
Gênero: Shoegaze/Rock Progressivo
Data de Lançamento: 28 de fevereiro de 2014

Adquirir via Bandcamp

Integrante do Radiant Republic, Brian Pennington sabe impressionar por sua ousada dinâmica de tempo que estrutura em suas canções. Fauxsrite é mais que uma operação bem-sucedida neste quesito; temos, aqui, junções de um sem-número de subgêneros musicais, que incluem prog-rock, shoegaze e psicodelia, que se manifestam de forma potente – e, claro, improvável.

Ouça: “Burial Playgrounds”


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28. Soused

Scott Walker & Sunn O)))

Gravadora: 4AD
Gênero: Dark-ambient/Experimental
Data de Lançamento: 20 de outubro de 2014

O que era para ser uma participação em Monoliths and Dimensions (2009), do Sunn O))), tornou-se um disco colaborativo. Um disco tenso, híbrido e tão improvável quanto se imaginaria de Scott Walker. A base vem do excelente Bish Bosch (2012), com toda a inovação de timbragens e obscuridade barroca que lhe caracterizou. Soused não só revela simbiose nos distintos caminhos musicais tanto de Scott, como para o Sunn O))); revela, também, capacidade extrema em alterar percepções musicais e sensoriais de quem quer que ouça, seja fã, mero adepto ou transeunte sonoro.

Ouça: “Brando”


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27. Fate


Dark0

Gravadora: Gobstropper
Gênero: Eletrônico/Grime instrumental
Data de Lançamento: 22 de agosto de 2014

O grime vive um período de auge como se estivesse no começo de 2000, e uma de suas melhores novidades é este pepita de apenas 6 faixas. Fate é inspirado por trilhas de videogame: capta dos momentos de ação em jogos de RPG (“Mako March”) às fases misteriosas de sci-fi (“Black Rose”). Sua dinâmica é tão viciante, que Fate funciona melhor como um bom disco de eletrônica. Evita as amarras de trilhas sonora não apenas por não se comprometer a ser pano de fundo de uma história, mas também por focar apenas em momentos-chave das fases virtuais.

Ouça: “Black Rose”


trash-talk_no-peace

26. No Peace


Trash Talk

Gravadora: Odd Future Records
Gênero: Hardcore
Data de Lançamento: 27 de maio de 2014

O Trash Talk não oferece nada de novo, a não ser muita fúria, pancada e ideias tortas em faixas que raramente ultrapassam os 3 minutos. No Peace transcende a linha divisória que se imagina entre hardcore e metal com a urgência de qualquer banda punk 77. É pro pogo mesmo, como sugere a capa e instiga o som (pesado).

Ouça: “Cloudkicker”


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25. What is This Heart?


How to Dress Well

Gravadora: Weird World
Gênero: R&B
Data de Lançamento: 23 de junho de 2014

O terceiro disco do projeto de Tom Krell é ainda mais denso e focado que os também tristes Love Remains (2010) e Total Loss (2012). Um dos nomes mais criativos do famigerado ‘novo R&B’, How to Dress Well se destaca por enfatizar suas emoções em timbres vocais sobrepostos às batidas irrequietas, tilitantes. What is This Heart? intensifica a complexidade de suas composições. Estamos diante de um solitário ou de um infeliz? O enigma proposto em “What You Wanted” sugere que Krell apenas desempenha um papel humano, demasiado humano. ‘Nunca escuto a mim mesmo e nunca digo uma palavra sobre isso’, diz nessa notável faixa. Mas é na fé que o vemos atingir seu máximo, como não esconde em “Childhood Faith in Love (Everything Must Change, Everything Must Stay the Same)”.

Ouça: “What You Wanted”


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24. eCsTaSy


Raoul Björkenheim’s eCsTaSy

Gravadora: Cuneiform
Gênero: Jazz
Data de Lançamento: 21 de janeiro de 2014

“Gosto de combinar notas e improviso”, disse Raoul Björkenheim em entrevista exclusiva ao Na Mira [a ser publicada em breve]. Mais experiente do trio, o finlandês gostou do que Pauli Lyytinen e Jori Huhtala tinham a oferecer em seus instrumentos, e os convidou a uma turnê. Adepto à ‘aproximação Miles Davis’, Björkenheim inseriu sua guitarra em moldes jazzísticos que transitam entre John Coltrane e seu guru Edward Vesala, um dos maiores nomes do jazz na Finlândia. Se há ligação com o free-jazz, culpe as guitarras caóticas do líder; enquanto Lyytinen busca sopros pacificadores em seu sax (especialmente em “Thresold”), Raoul injeta caos em faixas como “As Luck Would Have It”. O baixo de Huhtala é firme como rocha em “No Delay”, sentenciando uma característica essencial no jazz indômito e instigante do eCsTaSy.

Ouça: “As Luck Would Have It”


shabazz-palaces-lese-majesty

23. Lese Majesty


Shabazz Palaces

Gravadora: Sub Pop
Gênero: Rap espacial
Data de Lançamento: 29 de julho de 2014

Lese Majesty consegue ser ainda mais estranho e enigmático que a estreia Black Up, que catapultou o duo Shabazz Palaces ao status de grupo mais estranho de hip hop. A divisão do álbum em 7 suítes torna a experiência mais desconcertante – e, por isso mesmo, mais prazerosa. “They Come in Gold” é estratosférica, “Harem Aria” é alienante, “#CAKE” é tribal… Apesar de totalizar 18 faixas, cada uma possui características diferentes, fazendo de Lese Majesty uma obra imaginativa, ainda que crua; esperançosa, ainda que possua tons de distopia.

Ouça: “#CAKE”


prince-art-official-age

22. Art Official Age/PLECTRUMELECTRUM


Prince

Gravadora: Warner Bros
Gênero: Funk-rock/R&B
Data de Lançamento: 26 de setembro de 2014

Pretensão nunca foi um mal para Prince. Não fosse ela, os anos 1980 seriam chatos, incolores e nada sexy. 1999 (1982), Purple Rain (1984) e Sign’ O the Times (1987) formaram mais que uma trinca; são parte de uma essência criativa que definiu uma década e ainda inquieta novas gerações. Mas isso não aprisionou Prince, apesar dos injustos queixumes. O problema é que sempre irá se esperar algo que os iguale, e é exatamente esse tipo de comportamento que soa perigoso: há risco de deixar um álbum duplo, tão bom como este, incólume. Retrato das pazes de Prince com a major Warner Bros, a dobradinha capta Prince em dois momentos: à procura de sua própria soul music, sem abandonar a sensualidade (Art Official Age) e a válvula de escape para um funk-rock poderoso, chamando à bordo as roqueiras do 3RDEYEDGIRL (PLECTRUMELECTRUM). Cada disco deve ser apreciado num momento diferente também pelo ouvinte. Se procura um momento para se deliciar com a(o) gata(o), rode “Breakfast Can Wait”; agora, se quer cantar alto e junto ao Púrpura, deixe “Pretzelbodylogic” no último volume.

Ouça: “Breakfast Can Wait”


Leonard-Cohen_Popular-Problems

21. Popular Problems


Leonard Cohen

Gravadora: Columbia
Gênero: Folk
Data de Lançamento: 23 de setembro de 2014

A ótica da velhice que Leonard Cohen ofereceu em Old Ideas (2012) é triste e reflexiva. Ainda assim, as doses de humor contidas ganharam um prisma mais alegre em Popular Problems. Este humor não é autodepreciativo com a idade, como no disco anterior; é reflexo de um momento de paz interior, de renascimento do vigor do canadense, algo que foi muito abalado por conta do rombo financeiro que levou de uma manager. A maioria das faixas foi escrita por Patrick Leonard, como se ele revestisse o gênio de Cohen em situações de um cidadão comum (“Almost Like the Blues”).

Ouça: “Almost Like the Blues”



 

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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010 – que, além de site, também é canal do YouTube e Embaixador Spotify. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e repórter de entretenimento, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).


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  1. Igor Sousa 17 dezembro, 2014 at 14:56 Responder

    Eu achei um ano fraquíssimo para a música internacional, ainda mais comparado com o ano passado. A música brasileira teve muito mais lançamentos interessantes

  2. Pedro Nery 23 dezembro, 2014 at 14:31 Responder

    Qual o critério que você usa pra montar a sua lista? Porque é meio estranho ver álbuns que ganharam nota 7, na frente de álbuns que ganharam nota 8, por exemplo.

    • Tiago Ferreira 23 dezembro, 2014 at 14:34 Responder

      Nenhuma nota é a certeza definitiva sobre um disco. Ou seja, até o final pode ser que um disco ganhe força e, o que supostamente seria um nota 6, torna-se um nota 8, nota 9 ao longo do tempo. Nossas percepções sobre um álbum mudam a todo momento; não é quando postamos a crítica que sentenciamos a verdadeira avaliação. Pelo contrário, conforme um disco roda, está em avaliação constante. Nesse sentido, somos mutáveis. Não cravamos nenhuma certeza absoluta – por isso, nem sempre um disco que ganhou nota 8 em determinado período será sempre superior a um que ganhou nota 6, por exemplo.

      Abs!

  3. Lucas A.de Goes 28 dezembro, 2014 at 16:54 Responder

    piñata e run the jewels são incrieveis mais eu achei que 2014 forest hills drive foi a coroação do cole no rap melhor do ano. qual sua opinião sobre o disco e sobre ele? acho que esta no nivel de drake e k dot

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