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Os 30 Melhores Álbuns Nacionais de 2011

Confira em ordem decrescente a lista dos melhores discos nacionais do ano

Foi um ano muito bom para a música brasileira sim, em diversos sentidos. O rock nacional conseguiu se dialogar melhor com outros gêneros, sejam eles regionais (como manguebit ou rap nacional), sejam eles internacionais (cumbia, reggae, surf music etc). Exemplos práticos estão nos discos do Autoramas e do Nuda, que não poderiam ficar de fora desta lista.

A música instrumental está em ebulição: o disco livre do MarginalS, as variações virtuosas do 4Instrumental e a temática intrigante do disco novo do Burro Morto são alguns ótimos exemplos.

E, o mais óbvio, o rap está em transformação constante. Emicida continua quebrando paradigmas, Ogi veio com uma temática de peso com o disco de estreia e Criolo, o mais comentado de todos, se trancafiou com Marcelo Cabral e Daniel Ganjaman e gravou um disco que uniu algumas das principais referências musicais brasileiras: MPB, brega, afro-beat, dub, reggae, cumbia, free-jazz. Aquela sisudez, que era característica do gênero no passado, por lá ficou.

Confira também:
As 100 Melhores Músicas de 2011;
Os 50 Melhores Clipes de 2011;
Os 50 Melhores Álbuns Internacionais de 2011.

Confira a lista dos 30 melhores discos nacionais de 2011. A lista deve ser concluída até o final desta semana Update: a lista está completa! Confira:


30. Felicidade Interna Bruta

Eskimo

Gravadora: Independente
Gênero: Rock

Encontre pelo Bandcamp oficial

A experiência do multiinstrumentista Patrick Laplan (Biquini Cavadão, Los Hermanos, Marcelo Yuka) junto aos vocais de Cauê Nardi é mais ou menos como um laboratório do rock nacional. O gênero é levado ao extremo em faixas como “Cavalo de Fogo” e “Forte Apache”, que tem uma pegada poderosa tal qual os primeiros discos do Red Hot Chili Peppers. Mas também tem bons momentos de pausa, como a bela surf music de “Homem ao Mar” e uma polka com claras referências de Tom Waits em “No Fundo do Mar”. O grupo tem uma postura randômica quando se fala dos músicos permanentes: “O Eskimo não tem nenhum membro fixo, nem mesmo eu. Um músico não estar gravando, não ter gravado, ou não estar fazendo os shows, não exclui o fato de ser um membro do grupo”, disse Laplan em entrevista ao Na Mira do Groove.

Faixa: “Homem ao Mar”



29. Love For Everyone Everywhere

Boss Bass

Gravadora: Independente
Gênero: Dubstep/Eletrônico

O dubstep caminha para uma banalização inevitável: já é o principal gênero nas pistas e raves de música eletrônica do mundo. Mas existe uma simbolização inerente ao estilo, principalmente para dar sentido às barulhadas que somos obrigados a ouvir todos os dias – principalmente quem mora em megalópoles. O produtor Allan Borges tem uma visão otimista sobre o dubstep, e compartilha com todos com seu disco Love For Everyone Everywhere: “O futuro da música pós-Revolução digital é estimular o uso da arte como ferramenta de transformação social”. Referências passadas, como o jungle e drum’n bass (“Give More Bass”), também agregam nessa busca pelo entendimento do barulho através das batidas. Destaque também para o hard Techno “Gangster Wobble”, produzido a partir da indignação contra a segregação dos homens.

Faixa: “Gangster Wobble”



28. Música Crocante

Autoramas

Gravadora: Coqueiro Verde
Gênero: Rock

Depois de aprender a valorizar a melodia com a gravação do MTV Desplugado, em 2009, e muitas viagens ao redor do mundo tocando, o Autoramas retornou mais maduro e consistente – ainda mais com a permanência da baixista Flávia Couri. Jovem Guarda, new wave e punk rock se cruzam em um choque ainda mais poderoso no quinto disco de estúdio do trio, com a adição de um tempero caliente da cumbia psicodélica em “Verdugo”, cantada em espanhol, e da parceria da banda uruguaia The Supersónicos em “Máquina”. Flávia retoma a verve independente do grupo na ousada “Superficial”, e “Guitarrada” segue em um baião roqueiro divertido e muito bem executado. Se você tinha dúvidas da estabilidade do Autoramas no cenário roqueiro brasileiro, meu amigo, você está vacilando. Eles estão ainda melhores do que antes!

Faixa: “Verdade Absoluta”



27. Setembro

Junio Barreto

Gravadora: Independente
Gênero: MPB

Uma MPB com um quê de Caruaru. Até que é uma definição bacana, mas Junio Barreto é bem mais que isso: é um trovador poético que fala de amor e de natureza com perceptível facilidade. A trupe boa de Pernambuco não podia deixar de dar seus pitacos. Na produção, Pupillo (com exceção da música “Passione”, com o Mombojó nos instrumentais), com participações muito bem-vindas de Jorge Du Peixe, Céu, Marina de La Riva, Seu Jorge, Gustavo Ruiz e Dengue. Impossível não se entregar ao ouvir a inspirada “Jardim Imperial” ou o sambinha de beira de praia de “Gafieira da Maré”. Depois de mais de 7 anos sem lançar um disco consolidado, o segundo trabalho de Junio veio para evidenciar seu lugar de destaque no panteão dos compositores contemporâneos.

Faixa: “Alento da Alagoinha”



26. Baptista Virou Máquina

Burro Morto

Gravadora: MUTUCA
Gênero: Instrumental/Afro-Beat/Industrial

Baixe pelo Hominis Canidade

Não é só chegar, tocar e pronto. O grupo de música instrumental da Paraíba é prova viva de que, para atingir uma unicidade neste ramo, é preciso de muita sinergia e trabalho focado. Em sessões que chegavam a durar desgastantes 12 horas de estúdio, o Burro Morto criou uma trama futurista em que o personagem fictício Baptista vive num lugar onde, graças aos avanços tecnológicos, as pessoas apenas precisam se preocupar com o trabalho. Em faixas como “Tocandira” e “Volks Velho” percebe-se a sonoridade industrial tocada pelo proletariado. A forma de se divertir, tocada em “Foda do Futuro”, é intrigante. A influência de Fela Kuti é registrada em “Kalakuta” e, em “Volte Amor”, o Burro Morto vai se libertando das amarras intricadas das referências robóticas para abraçar o sentimentalismo, embelezado pelo órgão em “Luz Vermelha”.

Faixa: “Foda do Futuro”


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25. Metá Metá

Kiko Dinucci, Juçara Marçal & Thiago França

Gravadora: Independente
Gênero: MPB

Baixe pelo site oficial de Kiko Dinucci

Assim como a beleza da cachoeira em um canyon, o trio Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Thiago França fez um registro que soa como uma miragem intocável, bela de se admirar. A voz de Juçara entra límpida como a água doce da Amazônia em “Vale do Jucá” à dança tribal contagiante de “Ora Iê Iê Ô”. Já que estamos falando de três artistas juntos, seria impossível definir uma linearidade. Tem as referências do free-jazz de Thiago, que pululam em “Oba Iná”; o violão sincopado de Kiko, que estabelece uma ponte entre a música latina e africana em “Umbigada” (ele também canta em “Samuel”); e os vocais extasiantes de Juçara que se destacam em “Oranian”. Um cai na pegada do outro, somando moléculas de deleite aos nossos ouvidos.

Faixa: “Umbigada”



24. 4.1

4Instrumental

Gravadora: Independente
Gênero: Instrumental

Baixe pelo site do Coletivo Semifusa

Como o próprio nome da banda já diz, o som é instrumental. Mas as sonoridades extraídas parecem que já repousam no nosso imaginário há um bom tempo. Ouça “Não Mais”, que em algum momento você se pegará pensado: conheço essa melodia. Vem à mente a canção “Can’t Stop”, de Red Hot Chili Peppers. Mas, depois, a banda cai para um baião pesado, com forte pegada na bateria. “A Fuga das Mulheres Ruivas” tem paralelo com o rock progressivo, mas passa por interpolações do samba, até que as viradas excepcionais na bateria de Raul Lanari introduzem sons engenhosos de um Robert Fripp tropical, muito por conta da guitarra de Thiago Augusto Guedes. O belo trocadilho de “Tio Sun” mistura a calmaria de nossa cultura musical com a urgência sonora norte-americana.

Faixa: “Não Mais”



23. Veraneio

Eddie

Gravadora: Independente
Gênero: Surf Music/Baião/Manguebit

Falar de temas como “Delírios Espaciais” e “Casa de Marimbondo”, numa talagada só, é algo que necessita de gingado. O Eddie traz isso, inspirado pelo verão pernambucano. O sol é tão forte, que percebe-se no início da faixa-título suas irradiações nas guitarras de Fábio Trummer, também vocalista. Surf music, frevo e baião se conectam como a diversidade cultural recifense. E olha que ainda tem espaço para dub (“O Saldo da Glória”, “Glória Dub”) e forró (“Parque de Diversão”). O quinto disco da banda traz ilustres participações, como Otto, Karina Buhr (que já tocava percussão na banda antes de seguir carreira solo), Junio Barreto e DJ Dolores. É pra ouvir debaixo de muito sol, apreciando a beleza do mar ou admirando a paisagem praieira.

Faixa: “Veraneio”



22. Três Cabeças Loucuras

São Paulo Underground

Gravadora: Cuneiform
Gênero: Instrumental

O título do álbum fala de três músicos, mas tem um quarto integrante que contribui e muito para os aparatos eletrônicos do terceiro registro do grupo. Formado por Mauricio Takara, Guilherme Granado (ambos do Hurtmold), o trompetista americano Rob Mazurek, mais o ‘número 4’ Richard Ribeiro, que dá um pause nas desconstruções musicais do trio, São Paulo Underground é a música da cidade: a chegada em casa depois de um dia de labuta (mais o trânsito) é alentadora em “Jagoda’s Dream”; “Carambola” mostra as múltiplas culturas aqui instaladas, com uma pegada nordestina dançante; “Lado Leste” é híbrida e caótica em alguns momentos, mas traz a tranquilidade do trajeto de metrô, contornado pela Linha Vermelha. Tudo temperado pelo liquidificador de free-jazz, tropicalismo, manguebit, cumbia e o que mais vier à cabeça.

Faixa: “Jagoda’s Dream”



21. Passo Torto

Passo Torto

Gravadora: Independente
Gênero: MPB/Samba

Um grupo de amigos músicos se encontra e resolve fazer algo descompromissado. Soaria comum demais, mas é bom ficar atento quando se trata de Marcelo Cabral, Romulo Fróes, Kiko Dinucci e Rodrigo Campos. Os instrumentos acústicos e as referências de samba e MPB interligam esses quatro promissores músicos – além da malandragem, é claro. “Faria Lima Pra Cá” fala do trajeto de uma pessoa comum indo ao trabalho, citando as integrações entre as linhas de ferro e, claro, as dívidas sagradas de cada mês. “Cidadão” fala das ‘vozes da cabeça’ de um ‘cidadão esquizofrênico’, que pode ser representado por qualquer um de nós. Já “Três Canções Segunda-Feira”, mostra que maloqueiro também é poético. Em pouco mais de 30 minutos, o Passo Torto mapeia o sistema nervoso e emocional de uma pessoa comum, com desejos como eu e você.

Faixa: “Três Canções Segunda-Feira”


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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e atualmente sou repórter de notícias, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).

  1. Zé Henrique 16 dezembro, 2011 at 03:50 Responder

    Fala, Tiagão, como não tenho a sua paciência para garimpar sons novos, eis aí meus preferidos de 2011:

    Bid – Bambas 2
    Mundo Livre – Toshi Babaa
    Eddie – Veraneio
    Lenine – Chão
    Criolo – Nó na Orelha

    Burro Morto não foi ano passado? Ahh, vou dá uma sacada nesse Bixiga 70.

    Abraço

  2. Zé Henrique 17 dezembro, 2011 at 17:51 Responder

    Muito boa tua lista, Tiago.
    O da Anelis eu gostei bastante quando foi lançado, mas depois enjoei.
    Nesse segmento fico com a belezoca da Céu mesmo.
    Já o do Amabis eu achei musicalmente fodão. Mas, cara, eu detesto o timbre e o jeito que a Tulipa canta.. hehehhe
    Uma boa surpresa ver as pegadas do Lenine por aqui.
    Agora, o do Bid(Bambas 2) não entra entre os teus trinta?!
    Vc ouviu?

    Abraço!

    • Tiago Ferreira 17 dezembro, 2011 at 17:55 Responder

      “Sonhando”, da Anelis, é uma música que escuto obsessivamente até hoje. Adoro aquele sampler! O do Bid eu escutei pouco, mas sabe como são estas listas, né?

      Nunca são justas! Mas vou escutar com mais calma esse disco, depois de me livrar destas listas trabalhosas (ainda falta a de melhores discos internacionais…).

      valeu Zé, grande abraço!

  3. Zé Henrique 18 dezembro, 2011 at 17:19 Responder

    O bom das listas é o lance da informação.
    Coisas que vc não conhecia, ou passaram em branco, tornam-se visíveis.
    Já aprendi muito com as indeléveis listinhas.

    PS: Dê mesmo uma nova chance ao disco do Bid – estou-o ouvindo nesse momento. Bonzão, cara!

    • Tiago Ferreira 19 dezembro, 2011 at 09:57 Responder

      É, o lance de conhecer outros artistas é a grande sacada das listas. Por isso não gosto de unanimidades. Vou ouvir o Bid depois sim. Se realmente surpreender, crio um post sobre os caras!
      Valeu Zé, abração!

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