Crítica: Cults – Cults - Na Mira do Groove

Crítica: Cults – Cults

Columbia Records acertou em fisgar uma das grandes promessas da indie music

Com pouco mais de um ano de idade, o Cults já mostra potencial para ser um dos grandes

Gravadora: Columbia
★★★☆☆

Eles começaram do nada: não tinham MySpace, tampouco site oficial, o que acabou surpreendendo tanto os fãs de música quanto os jornalistas especializados. O grupo Cults nasceu todo envolto de mistério no começo do ano passado e conquistou os holofotes com a climatização indie-retrô de “Go Outside” na voz de Madeline Follin, incrustada por sintetizadores que remontam a um som gótico com sonoridades lúdicas, como aquele sininho de criança. O guitarrista Brian Oblivion dá um caldo sutil nos riffs, formando uma espécie de cortina para o berço vocal de Madeline.

De tão fofo que era, a Columbia não demorou para contratá-los. Apesar do chamariz de duos casais, o Cults talvez possa se destacar daqui pra frente por ser uma das primeiras bandas americanas que estão levando o lo-fi no indie bem mais a sério (além de música, eles também estudam cinema). Isso é mais coisa pra britânico, como prova o Summer Camp (duo a qual Madeline e Brian são comumente comparados).

Modismos à parte, esse grupo de Nova York – cujos integrantes têm menos de 23 anos de idade – poderia muito bem compor uma trilha de final de show em um CBGB. Se estivessem no cenário punk de 1976, certamente preencheriam o vazio dos chapados que andavam com Dee Dee Ramone naquela vibe esquisita com um show de movimentos lerdos (mas intimistas), que até arrancariam um contrato assinado com uma Elektra Records. (Danny Fields certamente ficaria impressionado com “Walk at Night” pela distorção minimalista que dá frieza ao som.)

“Go Outside”

Mesmo com todas essas especulações à sua volta, o Cults é um duo como qualquer outro: fala de fracassos amorosos, vazios existenciais, entre outros temas indie. A fuzarca guitarra-sintetizadores proposta por Brian em “Never Heal Myself” dá pouca abertura aos vocais de Madeline. Mas quando essa estética é levemente ponderada, vemos o Cults acertar na mosca, como em “Oh My God”.

Ao contrário do que parece, os grupos britânicos estão influenciando bastante os ‘indies ianques’. O agito vai dando lugar à contração. E o Cults, aparentemente, mostra que isso é um bom caminho – só não dá pra saber até quando.

Para ouvir o álbum Cults na íntegra, visite o Guardian.

Melhores Faixas: “Go Outside”, “Oh My God” e “Bad Things”.

Jornalista bem-humorado. Colaborou com publicações como Scream & Yell, Revista da Livraria Cultura e Revista Brasileiros. É o cara que mantém o Na Mira do Groove.
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  1. [...] só que movido pela lisergia da atualidade, mesmo em sua estética. Seria algo como uma mistura dos Cults com os primeiros trabalhos solo de Paul McCartney. Unknown Mortal Orchestra faz um diálogo [...]



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