Na Mira: Tratak

Composições ‘fúnebres’ e sonoridade híbrida permeiam um disco que deveria ser mencionado entre os melhores do ano passado

Cidade-natal: Blumenau (SC)

Gênero: Indie/MPB

Membros: Matheus Barsotti com uma pequena ajuda de amigos (e celular)

Agrada quem gosta de: Romulo Fróes, Cícero e um Thiago Pethit mais híbrido

Links: tratak.bandcamp.com/

O que é ‘axé fúnebre’ pra você? Essa foi a pequena definição jocosa que Matheus Barsotti fez para resumir seu projeto, o Tratak, termo sânscrito que significa lágrima.

O termo axé aqui entra mais como cumprimento, uma licença para que o músico catarinense apresente suas composições melancólicas que prezam por temas como passagem do tempo (‘a chuva cai e não vai mais embora’, de “Irrealidades Vãs”), tentativa de decifrar o sentimento de outrem (‘não entendo o teu olhar’, de “Cantar Só Por Cantar”) e outros assuntos que habitam a esfera ‘solitária’ – afinal, nada mais comum para um projeto solo e intimista.

Apesar de um ou outro indie teimoso associar a influência dos Los Hermanos, o Tratak é dono de uma sonoridade mais híbrida e livre de rótulos.

No primeiro disco, Agora Eu Sou o Silêncio, lançado meio na surdina no segundo semestre de 2012, há um livre passear por elementos que vão do pop-rock (“Indispensável”) à dramática limpidez de “Apenas Rotina”, que estoura numa espécie de avant-garde controlado – guitarras bagunçadas, bateria organizada. ‘Cala sem pedir desculpas’, impõe Matheus em uma de suas faixas mais híbridas.

De acordo com Matheus, as primeiras ideias foram registradas em celular. Já conhecido no meio musical por participar de bandas como Margot Alfajor, Labirinto e Stella-Viva principalmente como percussionista e baterista, o compositor criou as melodias no violão.

“A maioria delas foram praticamente ‘vomitadas’, se me permite a comparação”, afirmou o músico em entrevista ao Altnewspaper. “Sentava pra tocar alguma outra música e de repente estava cantando algo novo”.

Sua formação em música erudita e apetite amplo por obras que vão de Tchaikovsky a The Mars Volta permitiram ao Tratak diversas pontes estéticas que foram espertamente colocadas em coesão por Matheus – do indie solitário que habita em “O Bosque” ao mistério barroco de “De Todo Mal a Solução” só poderia haver influências e trajetórias sólidas no campo musical.

Como ninguém faz tudo sozinho mesmo nos tempos do ‘do-it-yourself’, Agora Eu Sou o Silêncio foi gravado por Yury Kalil, masterizado pelo renomado Gustavo Lenza (Céu, Lucas Santtana) e contou com extensa colaboração de músicos: Heitor Dantas, Fernando Rischbieter, Joaquim Prado, Ana Miguez, Gil Duarte, Carla Carmo, Daniel Ribeiro, Allan Grando, Branca Temer e Elson Barbosa. Poucos amigos, não?

Streaming: ouça na íntegra o álbum Agora Eu Sou o Silêncio, lembrado por poucos como um dos melhores discos de 2012:

Artistas Tratak

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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010 – que, além de site, também é canal do YouTube e Embaixador Spotify. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e repórter de entretenimento, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).


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