O rap nacional como nunca se viu em Nó na Orelha, novo álbum de Criolo

Rapper da zona sul de São Paulo lança primeiro disco após mais de 20 anos envolvido nas rimas. Faça o download do álbum

Criolo em foto de Serjão Carvalho. Músico disponibilizou recentemente o álbum Nó na Orelha

“O que eu faço é rap, sim”, disse categoricamente o artista Criolo (que antes era Criolo Doido) em entrevista a Pedro Alexandre Sanches, do iG Cultura. Morador do bairro do Grajaú (zona sul de São Paulo), o músico Kleber Cavalcante Gomes acredita que as fronteiras entre o que é rap e o que é considerado música popular brasileira devem ser rompidas o quanto antes, para dar maior liberdade de criação às novas gerações.

Recentemente, o músico lançou o álbum Nó na Orelha, produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral. É o primeiro disco do rapper, que já produz rimas há pelo menos 20 anos.

Além das bases de hip hop, Criolo explora diversas vertentes da música negra como o jazz, marcadamente o afro-beat. Em “Bogotá” (primeira faixa de Nó na Orelha), por exemplo, a linha de baixo e o sax alto dão início a uma jam alegre que fala de um casal em condições financeiras restritas que pretende ir à capital colombiana para ‘muambar’ – entenda-se comprar bugigangas a preços mais baratos.

“Bogotá”

As percussões também são marcas registradas nas canções de Criolo. Produzida em parceria com Kiko Dinucci, “Mariô” resgata elementos do candomblé em contraste com uma linha de baixo que, de alguma forma, traça paralelo com as canções de Aricia Mess. “Antes do Sabota escrever ‘Um Bom Lugar’/a gente já dançava o shimi-shimiá”, inicia o músico. Além de Sabotage, o cantor cita Chico Buarque e Mulatu Astatke, o que comprova o sincretismo musical que permeia todo o trabalho de Criolo.

“Subirusdoistiozin”

Mas o grande destaque do disco é “Subirusdoistiozin”, que busca a suavidade por meio de uma base jazzística à lá A Tribe Called Quest. Criolo utiliza táticas vocais que realçam o humor da canção, pontuada por scratches e solos de trompete. Mas as temáticas do rap sempre estão presentes: “Cresci no mundão/Onde o filho chora e a mãe não vê”. Uma das melhores músicas nacionais de 2011, sem dúvidas.

“Não Existe Amor em SP” também é um dos grandes destaques de Nó na Orelha. A introdução macabra, que lembra bastante o trip hop, forma o pano de fundo soturno de uma espécie de ode à cidade “que não dá pra descrever”. “São Paulo é um buquê/porque são flores mortas”.

Aqui, o rap atinge um lirismo que beira o romantismo. Criolo denuncia o descaso da população da capital paulistana que, de tão grande, chega a lembrar a morte na terra: “Não precisa morrer pra ver deus”.

“Não Existe Amor em SP”

Para fazer o download do álbum Nó na Orelha, visite o site oficial de Criolo. Coisa fina.

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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010 - que, além de site, também é canal do YouTube e Embaixador Spotify. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e repórter de entretenimento, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).


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