Nas fronteiras musicais com a África (e a Etiópia), segue o Sambanzo

Grupo de ‘gafieira universal’ liderado pelo saxofonista Thiago França deve lançar o primeiro disco em 2012. Ouça um EP com quatro faixas

Thiago França, em foto de José de Holanda

Thiago França já tocou samba, MPB, rap, jazz, música experimental – tudo isso no turbulento ano de 2011, quando tocou com Criolo, Romulo Fróes, MarginalS, Metá Metá, Gui Amabis, tocou algumas faixas na produção do novo disco da Céu…

Além de todos esses belos projetos, o saxofonista e flautista é a linha de frente do coletivo Sambanzo, junto com os parceiros musicais Kiko Dinucci (guitarra), Marcelo Cabral (baixo), Pimpa (bateria) e Samba Sam (percussão).

Neste projeto, que já tem um disco engavetado desde 2009 “por uma série de questões”, o saxofonista celebra a gafieira universal, mas um pouco diferente da linha carioca de uma Banda Black Rio ou uma Orquestra Imperial.

Aqui, a malandragem ainda existe, mas digamos que em um contexto mais abrangente e menos regional. Tem referências de São Paulo, mas também tem um pouco de Brooklin e New Orleans, Ebo Taylor e Mulatu Astatke. O sax de Thiago é dançante e vai do jazz ao afrobeat de Gana, mais ou menos como se estivesse estabelecendo uma conexão entre Pixinguinha e Tony Allen. E também pode soar como uma continuação despretensiosa de seu trabalho solo, Na Gafieira (2009). Aliás, tudo no Sambanzo pode ser considerado despretensioso.

Mas, esqueça influências. “Eu me incomodo um pouco com a palavra ‘influência’, porque parece que é algo que não é seu, mas que você usa mesmo assim. Tudo o que a gente faz, que a gente toca, está na nossa mão, está ao nosso redor o tempo todo”, disse o músico em entrevista ao Radiola Urbana. “A gente foi encontrando os semelhantes no meio do caminho e entendendo que pertencemos a uma tribo maior, a tribo do terceiro mundo, dos periféricos, marginais, que a gente é muito mais do corpo que da mente”.

Está agendado para 2012 o lançamento oficial do debut Etiópia que, como o próprio Thiago afirma, terá uma proximidade também com forró, guitarrada e ‘melodias intuitivas e rudimentares’ – que ligam as origens da música brasileira de vertente africana, por exemplo, às possíveis impressões de um rapaz que anda pelas ruas paulistanas observando o aspecto cinzento da cidade. É tradição e atualidade. Imaginário e cotidiano.

“Etiópia”, que você pode ouvir no player acima, começa numa levada cool jazz pontuada por riffs ácidos de Kiko. É uma balada com requintes caribenhos que vai intensificando o groove a partir dos sopros e efeitos de Thiago. O ritmo e a síncope são mantidos pela banda, e Thiago vai alternando as sonoridades espaçosas com o EWI, que soa como um vento forte que suga inúmeras referências musicais.

Bom, enquanto o disco do Sambanzo não é lançado, confira abaixo um EP com quatro faixas e um vídeo dos caras tocando a música “Xangô” ao vivo:


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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010 - que, além de site, também é canal do YouTube e Embaixador Spotify. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e repórter de entretenimento, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).


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