40 Melhores Músicas Internacionais de 2014

Ty Segall, Lana Del Rey, Blacknecks, Rich Gang, Afghan Whigs, Sharon Van Etten… Do grime à música de protesto espanhola

*Arte sobre a capa de Fate, do Dark0


Música de protesto na Espanha, bom momento do grime, o rock em busca de suas origens mais vertiginosas, pop, R&B, avant-garde, jazz. As listas do Na Mira não se prendem a gêneros. Exatamente por isso, tenta traçar um panorama minimamente verossímil do que aconteceu de melhor na música durante o ano, apesar de termos em conta o peso da relatividade.

Boa parte das canções mencionadas, de alguma maneira, passaram pelo site ao longo do ano. Claro que música é lançada a cada minuto pela rede, então é lógico que não ouvimos nem 1/3 de tudo que saiu em 2014.

O que não quer dizer que as 40 faixas abaixo mereçam descrédito. Alguns devem saber que o critério para seleção de músicas é bastante flexível; não dá pra ficar comparando qual a melhor de cada disco a cada momento. Nesse caso, o Na Mira preserva a boa e velha emoção. A faixa mais impactante para o moderador prevaleceu. Ou seja, não é porque “Unforgiven”, de Beck, veio parar aqui, que quer dizer que seja o melhor take de Morning Phase.

Da mesma forma que não nos comprometemos a reproduzir somente as faixas dos melhores discos internacionais do ano. Sim, boa parte delas integra esta lista, mas, em relação a outras, o leitor perceberá que não foram nem mencionadas pelo site ao longo do ano. É o caso de Tessela, Blacknecks e até mesmo Michael Jackson, cujo álbum póstumo, Xscape, merece mais atenção do que foi dedicado por publicações especializadas.

As canções que tiveram discos resenhados pelo Na Mira terão o hyperlink ao lado do campo ‘Álbum’. Você pode ouvir cada faixa mencionada ao clicar no nome dela: o link irá direcionar para o YouTube ou SoundCloud. Em breve (sem data definida), colocaremos uma playlist no Mixcloud com todas as músicas mencionadas, para que você ouça numa nice enquanto vai passeando pelo post.

Com vocês, a lista completa das 40 melhores músicas internacionais de 2014:

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40. “Do You”


Spoon

Álbum: They Want My Soul
Gravadora: Headz
Gênero: Indie-Rock

O Spoon é aquela banda bobinha/séria que brinca com indie-rock e soul music com vigor de adolescente. Não, ela não é tão grandiosa como costumam propagar por aí, mas não podemos negar que a voz mezzo rouca mezzo jovem de Britt Daniel soa agradável em momentos como “Do You”. A faixa é pras pistas e agrada frequentadores da Rua Augusta mais pela inocência que transborda que qualquer aspecto técnico. Pra se divertir, assim, numa boa, pega nada.


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39. “Dirty Vibe”


Skrillex ft. Diplo, G-Dragon & CL

Álbum: Recess
Gravadora: OWSLA/Big Beat/WEA International
Gênero: Eletrônico/Dubstep

A junção de Skrillex e Diplo só poderia dar em estouro. Uma das poucas salvações de Recess, “Dirty Vibe” é aquela faixa que quem é acostumado a ouvir tanto um quanto o outro vai gostar. No volume máximo, estoura os tímpanos. Não é nenhuma novidade, mas o verão não vai ficar mais chato se colocá-la na playlist. Sejamos justos: é de fazer qualquer um mexer a carcaça.


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38. “Noetic Noiromantics”


Shabazz Palaces

Álbum: Lese Majesty
Gravadora: Sub Pop
Gênero: Rap espacial

Hip hop estranho, espacial, portanto vamos lhe poupar. Vá na curta viagem de “Noetic Noiromantics”: em apenas dois minutos sente-se a nave colidir com diversos planetas a cada batida. É essa sensação que se tem ao embarcar na faixa de amor (isso mesmo, amor) redigida por Ishmael Butler‘Ainda há uma noção crescendo dentro de mim totalmente nova e isso forma a gente’. Tem que tocar e concordar, como pede a segunda suíte de Lese Majesty. Não leve o termo para o lado maligno.


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37. “She’s Rollin’”


Parquet Courts

Álbum: Sunbathing Animal
Gravadora: What’s Your Rupture? / Mom & Pop
Gênero: Rock

Trôpega, a voz de Andrew Savage arrasta-se como aquele chato que se sente perseguido pela garota que não quer. Distante de qualquer cartilha de indie-rock, “She’s Rollin'” é fustigante, pra ouvir enquanto toma aquela cerveja difícil de descer por conta da ressaca. Claro que a forma com que a música é entoada dá a entender que se trata de alguma droga pesada, aqui tratada como she.


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36. “Funk’N Roll”


Prince

Álbum: Art Official Age
Gravadora: Warner Bros
Gênero: Funk-rock

Lembra quando Prince botava pra quebrar em faixas onde funk, rock, sensualidade, groove e pop se entrelaçavam e ditavam o ritmo da festa? Ok, pode ser que você não se lembre (principalmente se não tiver vivido os anos 1980), mas a dobradinha Art Official AgePLECTRUMELECTRUM estão aí pra provar que Prince ainda é dono da fórmula, e se achou que um conjunto de quase 30 faixas é material demais pra convencer, fique com uma. Fique com “Funk’N Roll”. Deixe as guitarras guiarem, a voz borbulhada de Prince entrar nas veias e dê início à diversão.


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35. “Prescription/Oxymoron”


ScHoolboy Q

Álbum: Oxymoron
Gravadora: Top Dawg/Interscope
Gênero: Rap

A conotação pessoal da faixa mais densa de Oxymoron é comovente: ScHoolboy Q disse retratar-se dos tristes momentos em que estava chapado de Percocets, Valium, Xanax e Codeine. Vemos sua pequena filha chamar ao longo da primeira parte: ‘O que há de errado papai? Acorde! Acorde!‘. Na segunda parte, o rapper parece ter acordado com o belzebu no corpo. Ele não melhora, mas sabe que está no caminho errado (‘Quando morrer diga para Spike Lee fazer um filme‘). Diz que vai parar de vender crack. Ora, não estamos na mente doente de quem vivemos prejulgando por andar nas ruas sem paradeiros por aí?


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34. “Just One Drink”


Jack White

Álbum: Lazaretto
Gravadora: Third Man Records
Gênero: Rock

Eis uma faixa para rememorar os tempos de The White Stripes e bebedeira na garagem de casa. Não tem muito segredo aqui: bateria mais elaborada (como se Meg White tivesse ido a três ou quatro aulas) e o piano em duelo com a guitarra, como se as influências de Jack White tivessem que se comportar para um único single. É a faixa mais despojada de Lazaretto. Por isso, tão boa.


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33. “Two Weeks”


FKA-twigs

Álbum: LP1
Gravadora: Young Turks
Gênero: R&B

Tahliah Barnett impressionou por expor fraturas sentimentais dentro da proposta do novo R&B em seu aclamado disco LP1 – pouco celebrado por aqui. Para o Na Mira, se houvessem outras faixas como “Two Weeks” até haveria motivos para que se justificasse tamanho frisson desnecessário, mas ficamos com a sua principal faixa. Ela é elegíaca e tão ostensiva com podemos perceber em seu belo clipe. Um dos grandes auges de 2014? Sim, é uma música de altíssimo nível. Vem de um dos grandes discos de 2014? Pera lá, também não é pra tanto.


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32. “Black Rose”


Dark0

Álbum: Fate
Gravadora: Gobstopper
Gênero: Eletrônica/Grime

Que fase de qual jogo lembra a terceira faixa de Fate? Em meu palpite, arriscaria algum puzzle de Final Fantasy, talvez da era do Super Nintendo ainda. Vem à tona esse pensamento porque Davor Bokhario produtor por trás do Dark0disse ter se inspirado nos videogames em seu grime estratosférico. “Black Rose” tem o appeal das pistas, colocando no mesmo balaio EDM, sci-fi e thriller. É enigmática e, ao mesmo tempo, não é.


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31. “As We Fight”


Ambrose Akinmusire

Álbum: The Imagined Savior Is Far Easier To Paint
Gravadora: Blue Note
Gênero: Jazz

Ambrose Akinmusire inverte estilos em seu trompete com a sagacidade de quem tem, pelo menos, o dobro da idade (ele tem 34). “As We Fight” começa como um modal e vai adquirindo a fineza de Nat King Cole e do Birth of the Cool, de Miles Davis. Esta é a faixa menos representativa das vertentes diversificadas que Akinmusire explorou em The Imagined Saviour is Far Easier to Paint. No quesito jazzístico, digamos que soa tradicional demais para um 2014. Mas a exuberância de sua técnica no trompete, aliada ao piano esperto de Sam Harris e ao baixo cativante de Harish Raghavan, encanta tanto os puristas quanto aos novos afeiçoados pelo jazz, essa eterna maravilha que continua a resplandecer.



 

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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010 – que, além de site, também é canal do YouTube e Embaixador Spotify. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e repórter de entretenimento, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).


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