30 Melhores Músicas Nacionais de 2014

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20. “Novas Auroras”


Nação Zumbi

Álbum: Nação Zumbi
Gênero: Rock
Gravadora: SLAP/Som Livre

A cada trabalho lançado após a morte de Chico Science, em 1998, o Nação Zumbi tem se afastado da proposta do manguebit. Isso é natural, pois as estatísticas já não são tão pessimistas quando se menciona o Recife e, obviamente, a banda vive um outro momento. Eles não renegam a voracidade do passado em Nação Zumbi, mas faixas como “Aurora” dão um novo panorama do verdadeiro lugar da banda, que já passou da maioridade. Nisso, ela é bem direta: ‘Vou andando nas horas/Atravessando os agoras/Dançando as novas auroras’.


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19. “Do Coração de Um Homem Bom”


Luiz Melodia

Álbum: Zerima
Gênero: MPB
Gravadora: Som Livre

Não houve melhor forma de desanuviar a turbulência em 2014 que esta simples e inspirada música de Luiz Melodia. Um dos muitos pontos altos de Zerima, ela é reflexiva, adornada por violinos e teclados em forma de orquestra, nos convencendo da pureza de seu coração de idade já avançada. Ingênuo, não, pelo contrário; maduro o suficiente para saber que é na leveza que se leva a vida.


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18. “Cromaqui”


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Álbum: Rasura
Gênero:
Rock instrumental/Post-rock
Gravadora:
Sinewave

Curta, direta e pop como o ruído/mm não costuma ser em seu post-rock eletrificado. “Cromaqui” é a porta de entradas inevitável de Rasura, disco em que a banda de Curitiba vem justificar o porque de ser uma das protagonistas da cena instrumental brasileira há 11 anos. As guitarras de André Ramiro e os efeitos eletrônicos de Felipe Ayres são diretos e implacáveis. “Cromaqui” é o take mais roqueiro e pegajoso de um disco que vai muito mais além que qualquer denominação que se prenda ao post-rock ou instrumental. Os curitibanos se superaram tecnicamente, apontando distintos rumos que possivelmente serão explorados daqui pra frente. Ora pois, cansar o ouvinte é algo que está a milhas de distância do ruído/mm.


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17. “Versos Vegetarianos”

Inquérito part. Arnaldo Antunes

Álbum: Corpo e Alma
Gênero: Rap
Gravadora: Independente

Renan Inquérito e Arnaldo Antunes têm mais semelhanças do que você imagina. São envolvidos em linguagens que retrabalham o lúdico (cada um à sua maneira) e constroem suas rimas com jogos de palavras. No refrão da canção, Arnaldo mete um ‘tudo vem do vento tudo vem’ em diferentes colocações; Renan, claro, rima e polemiza com inteligência (‘A farmácia é uma biqueira com CNPJ’). Imaginaria uma parceria dos dois cantores num projeto que envolvesse a TV Cultura, portanto, a oportunidade de conferir num disco de rap não deixa de ser um presente louvável.


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16. “Queda”


André Frateschi

Álbum: Maximalista
Gênero: Rock
Gravadora: Warner/Chappell

André Frateschi não deve ser entendido como um roqueiro; digamos que é tão metamorfo como transparece sua obra. Em seu primeiro disco solo, Maximalista, este lado é bem sentenciado, mas, de todas as boas investidas feitas, a que mais se destaca é a baladaça “Queda”. O violão entra em diálogo com o piano genioso de Mike Garson. Refrão inspirador, acordes soltos, clima um tanto intimista. Então, tudo cai, entra a orquestra e sai o intimismo; perdura a joia.


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15. “Guerreiro do Tempo”


René y Carol

Álbum: Adundundarandun
Gênero:
Latina/MPB
Gravadora:
 Independente

René Ferrer é um rapper cubano; Carolina Sá é cineasta que tem se interessado pela pesquisa aprofundada da música brasileira. Ambos se juntaram, revelando uma proximidade cultural e artística entre os dois países que vai além da diplomacia. “Guerreiro do Tempo” não só é a melhor porta de entradas deste belo trabalho, produzido por Alê Siqueira (Os Tribalistas), como prova que a intersecção entre as latinidades também assimila o drum’n bass caribenho e bons resquícios da música francesa (vide os clarinetes em profusão). Adundundarandun tem apenas 7 faixas, mas reúne um bocado de investidas: são três línguas diferentes – português, inglês e espanhol – e um curioso alcance musical, que também ruma ao jazz, chillout, chanson, MPB, rumba…


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14. “Bote Ao Contrário”


O Terno

Álbum: O Terno
Gênero: Brega
Gravadora: Independente

Ainda mais habilidosos do que mostraram no disco de estreia, 66 (2012), O Terno criou a música do corno ressentido mais nostálgica de 2014. Odair José moderno mordendo a orelha, mas com um tanto de pretensão. O personagem se acha equiparável à mulher, que ele sabe que irá abandoná-lo. É uma faixa otimista, apesar do amor perdido e das torturas. Qualquer um que ouvir vai dizer na hora: ele não vai conseguir dar o chifre que ela merece. Ou consegue?


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13. “Casa de Papelão”


Criolo

Álbum: Convoque Seu Buda
Gênero: Rap
Gravadora: Oloko Records

Criolo foi ainda mais ousado em Convoque Seu Buda que o antecessor Nó na Orelha (2011). A complexidade de suas letras foi jogada para outros campos, e o melhor deles é o construído pelos arranjos de Daniel Ganjaman em “Casa de Papelão”. Batucada afro-beat, poesia urbana com a densidade do vazio, flugelhorn, aquela guitarra de Guilherme Held e o tenor de Thiago França rasgando os ‘corpos na multidão’. Não é usual na forma com que Criolo compõe, provavelmente não será tão ovacionada em seus shows. Só que funciona tão bem em sua estrutura, que torçamos para que o rapper repita algo similar.


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12. “Jazigo Meu ou Venha Ver o Sol Derreter”


Hierofante Púrpura

Álbum: A Sutil Arte de Esculhambar Música Alheia
Gênero: Rock Psicodélico
Gravadora: Transfusão Noise

Download via Bandcamp

Quando o Hierofante Púrpura lançou A Sutil Arte de Esculhambar Música Alheia a falta de água não estava tão exposta quanto está agora em São Paulo. ‘Águas vão rolar/Como cristais de gelo’, diz a voz de Danilo Sevali. Psicodélica e naturalista, uma hora brincando de ser Paêbirú e em outros momentos soando como uma banda de indie-rock soaria. A cartilha não é óbvia, assim como não é óbvia a resposta de como seria ver o sol derreter, como diz a canção. Termina assim: ‘Homem ou Deus?’. Cada um tem as suas respostas; a do Hierofante Púrpura, nesse caso, é tão enigmática quanto a pergunta.


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11. “Pulmão”


Wallace Costa

Álbum: Wooden
Gênero: Folk
Gravadora: Acácio Records

Download via Bandcamp

Como seria o ‘desenho de um torto eu’ de Wallace Costa? Ele não quer saber. Só quer valorizar a sua interpretação sobre ele. ‘Jogue bem alto/Pra ver se alguém/Pega e guarda/Sem querer me consertar’. Parece piegas e de pouco sentido, mas os efeitos sobre o violão folk despertam ainda mais curiosidade sobre o que ele está querendo dizer com isso. É uma canção de sentimento retraído (ele repete: ‘ainda restará’), típico de alguém recluso e extremamente habilidoso como Wallace.



 

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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e atualmente sou repórter de notícias, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).

  1. Gilberto Mercês 1 junho, 2015 at 15:29 Responder

    Olá, Tiago!

    Parabéns pelo seu belo trabalho. Conheci seu blog numa pesquisa no google sobre Mavin Gaye. Daí, descobri outras “pérolas” e fiquei encantado com a excepcionalidade do seu bom gosto. Não pesquisei com profundidade, mas, o farei logo que tiver tempo, assim como irei indicar para alguns amigos admiradores da boa música.

    Forte abraço e, mais uma vez, Parabéns!

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