Os 30 Melhores Discos Nacionais de 2012

Depois de conferir as menções honrosas, veja a lista em ordem regressiva do 30º ao 1º álbum

O Brasil vive um de seus melhores momentos musicais. A expansão dos interesses artísticos ultrapassaram as barreiras da famigerada música pop: não é o que está na Billboard que desperta interesse; é a procura de identificar-se com influências distintas, que tenham mais a ver com as idiossincrasias dos artistas.

Alguns dos melhores trabalhos de 2012 abraçaram sem medo as influências externas. Outros provaram que vão além dos ‘bons comentários na internet’, desafiando as próprias limitações. (Falo tanto dos músicos que já têm relativo prestígio, como outros não tão conhecidos assim.)

Num primeiro momento, o Na Mira apresenta 10 discos nacionais como menções honrosas. Estão aqui porque 30 é um número pequeno diante de muita coisa boa nacional que pintou por aqui.

Note que os 10 discos aqui mencionados estão em ordem alfabética de artistas. A exemplo dos anos anteriores, a seleção dos 30 melhores será colocada em retrospecto, do menos ótimo ao melhor, nesta mesma postagem. (Atualização: a lista está completa.)

Alguns nomes podem surpreender leitores antigos por não terem sido apresentados anteriormente. Para que o internauta tenha à sua disposição mais informações dos discos aqui presentes, cada um deles vem com uma indicação de texto – alguns do Na Mira, outros não.


Confira também:
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Enfim, confira as menções honrosas dos melhores álbuns nacionais de 2012:

Abayomy

Abayomy Afrobeat Orquestra

Gravadora: Independente
Gênero: Afrobrasileira
Texto: Abayomy faz da choperia do Sesc Pompeia um baile afrobeat

É dança na veia, negão! Com clara inspiração do gênero de Fela Kuti, a big band carioca joga no tempero música latina, soul e referências do candomblé em seu afro-beat. Todos os músicos são protagonistas, seja nos solos catárticos do sax alto de Mônica Ávila, nos teclados onipresentes de Donatinho ou na guitarra de André Abujamra, que crava bela assinatura na produção de um disco que não tem medo de levar ao exagero a reverência à dança.

Ouça: “Malunguinho”


Afroelectro

Afroelectro

Gravadora: Independente
Gênero: Afrobrasileira
Texto: Um choque de 220 volts pra dançar e pulsar

Download Gratuito

Mais uma prova de que a música afrobrasileira está – e muito! – em alta. Com percussionistas mais que renomados como Sérgio Machado e Maurício Badé, a pulsação é mero pré-requisito. As guitarras de Michael Ruzitschka buscam riffs e solos ágeis em faixas como “Padinho” e “Sika Blawa”, que conta com a célebre participação de Chico César. Tem ciranda, afro-beat, samba, rock, funk e até rap – como é possível ouvir em “Pra Sonhar”.

Ouça: “Sambada” (part. de Siba)


No Dust Stuck On You

Black Drawing Chalks

Gravadora: Independente
Gênero: Rock
Texto: Resenha do Move That Jukebox

Veja como adquirir no site oficial

Sejamos diretos: o mais legal do BDC é não formular tanta coisa. É deixar que os riffs te peguem no caminho pra pular ao som de pancadas como “Famous” e “Street Rider” – que faz um pequeno flerte com Red Hot Chili Peppers. As canções do quinteto goiano de alguma forma nos transportam para os melhores momentos de nossas adolescências, sem cair naquele velho papo de ser absurdamente jovial. É barulhento, não é difícil de cantar (apesar de ser em inglês) e crava facilmente.

Ouça: “Famous”


Carne

Bratislava

Gravadora: Independente
Gênero: Rock
Texto: Faixa a faixa do disco (Floga-se)

Download no Hominis Canidae

Uma das coisas mais legais na atual cena roqueira por aqui é deixar-se levar por distintas influências. No caso da Bratislava, eles pegam coisas do tango, música cigana e temas fantasiosos em composições fortes o bastante para trabalhar o imaginário do ouvinte, que ainda pode curtir as firmes guitarras de Edu Barreto e Alexandre Meira. Por ser um primeiro disco, Carne esbanja proteína musical, com os devidos créditos aos irmãos baianos Victor e Alexandre Meira.

Ouça: “Fôssemos Gatos”


Estação Sé

Caê Rolfsen

Gravadora: Independente
Gênero: MPB
Texto: Entrevista exclusiva com Caê Rolfsen

A complexidade de São Paulo tem gerado boas composições, e o disco de Caê Rolfsen é mais um retrato bem-sucedido disso. Com elementos do samba pós-era do rádio e música ibérica e arabesca, Estação Sé fala de multidão no sentido corriqueiro e, ao mesmo tempo, nostálgico – bem perceptível na bela “Terra em Trânsito”. Os romances (“Do avesso”) e possíveis flertes (“Estação Sé”) entrecruzam uma cidade que afeta a vida de seus moradores por sua correria. É a terra de oportunidades? Sim. Mas é também uma terra que atropela o senso de simplicidade. Essa é uma das grandes buscas desse belo disco.

Ouça: “Terra em Trânsito”


…Entre… (EP)

Kamau

Gravadora: Plano Áudio
Gênero: Rap
Texto: Resenha do EP …Entre…, de Kamau

Quatro anos depois de mostrar outros caminhos para o rap com Non Ducor Duco, Kamau resolveu quebrar o silêncio com um EP de batidas mais experimentais, mas que nada fogem de sua busca pelo simples. Ele prova ser um operário de sua própria causa (“Música de Trabalho”) e, com admirável produção de Renan Samam, cruza datas com perspicácia matemática em “21|12”, um remonte de sua trajetória artística, que vai do skate à música.

Ouça: “Música de Trabalho”


Molho Negro

Molho Negro

Gravadora: Independente
Gênero: Rock
Texto: Coluna Na Mira: Molho Negro

Download no Hominis Canidae

Quem disse que o Pará é só Gaby Amarantos e Gang do Eletro? Para recobrar essa possível injustiça do hype, o Molho Negro responde com o clipe de “Aparelhagem de Apartamento”, com um humor bem mais sincero e divertido que os conterrâneos. Os riffs de João Lemos favorecem as composições naturalmente engraçadas, como o clamor por um ‘sex appeal’ de “Onde Está o Meu Mojo?” e os velhos papos de chefe que comentam sobre as garotas da firma em “Se Ela Não é Lésbica Tem Namorado” – afinal, quem já não lançou uma dessas no happy hour?

Ouça: “Ela Prefere o DJ”


Manhã

Pentágono

Gravadora: Independente
Gênero: Rap/Ragga
Texto: Entrevista exclusiva com o Pentágono

Download no site oficial

O terceiro disco veio para calar a boca de quem achava que o Pentágono iria acabar devido ao projeto solo de Rael da Rima, que está cada vez mais em crescimento. Os bochichos são rebatidos logo na primeira faixa, “Tá Teno”: ‘Já disseram que acabou/Só nós não tá sabendo!’ O quinteto explorou mais guitarras e metais em batidas inspiradoras assinadas por Renan Samam, Di Beatmaker, Nego Flow e muitos outros. As participações vocais de Maomé (“Incandescer”), Projota (“Me Ensinou”) e Livia Cruz (“Não Dá Mais”) reforçam o teor coletivo de uma das bandas mais agitadas do rap nacional.

Ouça: “Nóiz é Negô”


A Mágica Deriva dos Elefantes

Supercordas

Gravadora: Midsummer Madness
Gênero: Psicodélico
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Download gratuito no site oficial

Nos incensos de Mumbai/O velho amigo haicai solaaarrr’. A primeira faixa do disco brasileiro mais atrasado em tempos (Seres Verdes ao Redor é de 2006) é uma viagem levada pelas guitarras de Bonifrate. Se o disco anterior pode ser classificado como um bluegrass psicodélico, neste novo disco os cariocas estão ainda mais híbridos, mais lisérgicos e, ignorando as junções do impossível, bem mais rock’n roll! Junto aos loopings de teclados e outros aparatos elétricos, fervem guitarras e baterias – perceptível em “O Céu Sobre as Cabeças”. Que eles não demorem mais pra lançar discos, aviso dado.

Ouça: “Mumbai”


Táksi (EP)

Táksi

Gravadora: Independente
Gênero: Noisy/Industrial
Texto: João Brasil comenta faixa a faixa o EP Táksi

Download pelo site oficial

Muitos gêneros estão se solidificando no Brasil, e uma das boas surpresas é o crescimento do noisy, seja em sua forma industrial, eletrônica, drone, shoegaze, entre outros. Táksi é um projeto de João Brasil com Domênico Lancellotti criado naturalmente após uma exposição de artes performáticas na Europa, onde os músicos se encontraram. O EP homônimo é um registro improvisado e, talvez por isso mesmo, grandioso, porque explora possibilidades que vão do ambient e downtempo (“Space Finger”, com uma pitada de funk carioca) ao heavy metal e drum’n bass (“Might Sound Noisy”).


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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010 - que, além de site, também é canal do YouTube e Embaixador Spotify. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e repórter de entretenimento, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).


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  1. Marcela 9 dezembro, 2012 at 14:26 Responder

    Sugiro que o EP Surreal da banda ZImun seja citado pois é um belíssimo trabalho independente com qualidade que surpreende desde a capa até arranjos, mixagem e masterização.
    O disco traz muito rap acompanhado de melodias cantadas pelos MC’s Matéria Prima (Quinto Andar, Subsolo) e Castilho, uma banda afinadíssma formada por 5 músicos acompanha os 2 MC’s tocando muito groove, latin-jazz, rock, e muito mais.
    O Ep é o segundo trabalho da banda e foi masterizado por Felipe Tichauer e mixado por Lenis RIno e
    apresentado ao público em outubro de 2012 no http://www.souncloud.com/zimun, foi também lançado em CD em novembro, e ainda esta por vir em formato compacto-vinil pelo selo Vinyl Land. O EP antecede o lançamento do próximo disco com 13 faixas inéditas.

  2. Zé Henrique 16 dezembro, 2012 at 00:49 Responder

    Fala, Tiagão!
    Rapaz, vc é bem mais ligado em novidades que eu – ouço mais discos velhos que novos.
    Dessa forma só consigo eleger cinco.
    Esses:

    – Los Sebosos
    – Orquestra Imperial
    – Lucas Santtana
    – Céu
    – Otto

    Tinha até falado contigo sobre a decepção que tivemos com o primeiro single do disco do Otto e tal.
    Mas, cara, vou te confessar esse disco me pegou. Estou gostando dele.
    Acontece muito isso, né? Com o do Lucas e o da Céu foi a mesma coisa.
    Com certeza isso acorreu por seus discos anteriores terem sido clássicos da música brasileira – na minha opinião.
    Voltando a Lua do Otto, acho que o “problema” do disco foi ele ter falado anos a fio na mistura de Fela Kuti com Pink Floyd e quando a gente viu tinha bem pouca coisa disso.
    Então, sugiro esquecer isso e ouví-lo novamente como simplesmente um disco do Otto. Dê uma chance ao rebento novamente.
    Aquelas 3 primeiras faixas vejo como uma transição com o disco anterior e na quarta faixa começa viagem a lua propriamente dita.

    PS: Aquele emai que te dei bateu as botas. Caso venha mesmo passear em Recife contate-me por esse aqui:
    zjhenrique@gmail.com
    Ahh, vou ouvir os 3 primeiros de sua lista.

  3. Zé Henrique 16 dezembro, 2012 at 00:53 Responder

    Esqueci de falar. Com o disco do Bnegão aconteceu o oposto do que aconteceu com o de Céu, Lucas e Otto.
    Eu gostei de prima e depois me enjoou profundamente.
    Acho que o cara errou na mão. Ficou muito acelerado, muito funk core.
    Tinha que ter deixado mais climas, mais andamentos diferentes.
    Enfim, mais variado como o clássico primeirão.

    Abração!

    • Tiago Ferreira 17 dezembro, 2012 at 11:06 Responder

      Já eu não gosto tanto do primeiro disco do BNegão.

      Acho que este novo trabalho é bem melhor que o anterior. Ouvi demais, e continuo adorando a cada audição.

      Já o do Otto… não desce. As três primeiras faixas me soam um Otto fake, a ponto de estragar a audição do restante do disco, que pouco surpreende. Não que seja um trabalho de todo ruim; mas, por ser Otto, tá fraco demais!

      Abraço!!

  4. Eduardo 21 dezembro, 2012 at 16:09 Responder

    Senti falta da Gaby Amarantos e da Banda Uó. Mas, fora isso, tudo de melhor estar aí: Lucas Santtana, Céu, Tulipa Ruiz, Felipe Cordeiro, Curumin, Metal-Metal…

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