Uma compilação da música experimental brasileira – feita por Chico Dub

Preparada para os gringos, Hy Brazil Vol. 2: New Experimental Music From Brazil 2013 exibe a insanidade de Sobre A Máquina, Satanique Samba Trio, Bemônio e mais

Após a bem-sucedida compilação Hy Brazil Vol. 1, com curadoria de Chico Dub especialmente à revista SPIN sobre a nova produção de música eletrônica feita no Brasil, já está no ar o volume 2 – desta vez sobre a música experimental brasileira (ou MTB = música torta brasileira).

Partindo por linhas progressivas, tortuosas e bem híbridas, a nova compilação exibe canções do Sobre A Máquina (que lançou um dos melhores discos de 2012), Satanique Samba Trio, The Industrialism, Barulhista, DEDO

São nomes de cenas diferentes, mas que ainda assim perigam não terem o devido reconhecimento pelos próprios brasileiros.

Não espere canções palatáveis, ritmos tropicais ou referências a outros movimentos artísticos brasileiros; a compilação Hy Brazil Vol. 2: New Experimental Music From Brazil 2013 preza pela versatilidade sonora nesse campo.

É na improbabilidade que reside toda a graça de ouvir uma “Queimo” (DeCo Nascimento), “Capilar” (Duplexx) ou no prenúncio de que algo irascível está por vir em “Dilecti Laceratione Complevit”, dos cariocas insanos do Bemônio.

A seguir, ouça a compilação completa (via Dummy):

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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010 - que, além de site, também é canal do YouTube e Embaixador Spotify. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e repórter de entretenimento, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).


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  1. Marco Daniel 30 julho, 2016 at 03:16 Responder

    Oi, Tiago.
    Estava lendo sobre Hy Brazil e do vol. 10, não sei se já ouviu, participa um músico que eu queria sugerir para você dar uma conferida e escrever algo sobre ele. Otacílio Melgaço é o nome.
    Abraço.

    • Tiago Ferreira 30 julho, 2016 at 13:20 Responder

      Oi Marco,
      Conheço o trabalho do Otacílio Melgaço – difícil é acompanhar a produção dele. Ele faz bastante coisa…
      Mas, verdade, nunca postei nada dele no Na Mira. Vou ficar mais atento.
      Valeu pela dica, um abraço!

      • Marco Daniel 24 setembro, 2016 at 22:15 Responder

        É verdade, a produção dele é de deixar a gente absurdado! O que me deixa também fascinado porque me sinto como uma criança solta numa loja de doces. Isso pode ser um outro nome para “Éden”. rs Um toque que lhe dou como leitor seu que sou e ouvinte assíduo dele, acho que renderia um postagem incrível justamente por ser ele um artista tão sui generis. E você que é um sujeito tão atento. Pelo que já ouvi, existem discos por lá que têm tudo a ver com o Na Mira.
        Valeu pela atenção e me avisa quando for escrever, por favor. Quero muito ser o primeiro a conferir!
        Abraço.

  2. Marco Daniel 26 setembro, 2016 at 18:06 Responder

    Sim, Tiago, acabo de ver. Você citou o Chico porque é o contexto, começamos lá em cima com o volume 2 dos “Hy Brazil” dele. E agradeço. Otacílio participou do volume 10. Gosto de música eletrônica e dessas outras “tendências”. Vindas do Rio, às vezes há coisas que ainda me parecem um pouco caricatas, mas é que eu venho da música eletrônica lá do meio do século passado e acho que existe um divisor de águas muito claro entre o que pode ser feito hoje em dia de forma bastante criativa e o que se apropria de elementos eletrônicos para propostas que para mim não passam de entretenimento epidérmico ou “mais do mesmo”. Mas isso não vem ao caso. Gosto de como você escreve e principalmente quando tem espaço para se aprofundar mais.

    Mas, muito além de Chico, o que me chama a atenção em Otacílio Melgaço e essa é minha fonte de sugestão expressa a seu olhar, é que ele se destaca em vários fronts ao mesmo tempo, é simplesmente um fenômeno. Sua discografia é um abuso de inventividade, me deixa impressionado. Não me admira que, pelo que tenho visto, a obra dele se desloca mais no exterior que no Brasil e acho lamentável que falem ainda pouco dele aqui. Por falta de fôlego? De conhecimento? De embasamento? Não sei. Aí também entramos em quem tem penetração na mídia e através de que artifícios. Sei que não é o caso do Na Mira e fico feliz com isso. Se Chico nos traz uma compilação da verdadeira música feita no Rio, aproveito o gancho e digo que Melgaço, em sua obra diabolicamente vasta, nos traz uma compilação da verdadeira música feita no Mundo e isso abrange inclusive facetas da cultura brasileira como um todo. Ele vai de ópera à eletrônica, de sinfonias contemporâneas a jazz de vanguarda, de rock experimental a etnografias, meu Deus, eu poderia ficar horas a tentar enfileirar tantas linguagens e estilos e tudo fascinante e com uma impressionante meada. E haja fios! Espero mesmo que você um dia se debruce por sobre esse enigma maior. Enquanto isso, nesse meio tempo, vou ouvir o real Rio. Um abraço do amigo.

    • Tiago Ferreira 26 setembro, 2016 at 18:48 Responder

      Ah sim, conheço Otacilio Melgaço, mas confesso que só de pé de ouvido. Ainda não falei sobre ele porque preciso me debruçar sobre sua obra.
      Obrigado pela sugestão. Um abraço, e volte sempre!

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