Groovin’ Jazz: 10 discos lançados em outubro/2016 que você precisa ouvir

Novos discos de Anna Webber, Donny McCaslin, São Paulo Underground e mais



Nove meses após a morte de David Bowie, novas versões de músicas pouco celebradas do Camaleão do Rock foram parar no universo jazzístico. Natural: seu álbum derradeiro, Blackstar, investiu dentro desse campo, ainda que de forma sombria. E muitos passaram a conhecer um saxofonista, que veio parar nesta lista com novo álbum.

Dois discos da seção Groovin’ Jazz de outubro refizeram Bowie: um optou por uma versão nada usual de ”Kooks”, num formato mais soul do que o roqueiro atingiria em vida; o outro músico selecionou dois temas improváveis: “A Small Plot of Land”, de Outside (1995), e “Warszawa”, do celebrado Low (1977). Abaixo você confere quais são esses músicos.

Os outros discos mostram a força dos metais no jazz. Isso porque músicos conectados às eras mais prolíficas do gênero – como Dave Douglas (parceiro de John Zorn na instigante cena avant-garde de Nova York), Dave Liebman (que tocou com mestres como Miles Davis e Elvin Jones) e Wadada Leo Smith (free-jazz no AACM) – continuam mostrando como fazer com que sax-soprano e trompete protagonizem abstrações de um mundo muito mais complexo do que enxergamos.

Douglas, Liebman e Wadada contam com a experiência a seu favor quando se inspiram no movimento dadá, trazem músicos formados em universidade à cena, ou simplesmente quando decidem contemplar a beleza paisagística de parques.

São Paulo Underground está de volta com um álbum novamente explosivo, o mineiro Estêvão Teixeira criou uma linda simbiose entre flauta e berimbau e mais um dos caras que tocou em To Pimp a Butterfly surge numa estreia portentosa – com a bênção de Kamasi Washington.

Com vocês, 10 discos essenciais de jazz lançados em outubro:

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The Darkening Blue

Andre Canniere

Gravadora: Whirlwind Records
Data de Lançamento: 15 de outubro de 2016

O trompetista natural da Pensilvânia (EUA) Andre Canniere é um claro exemplo de jazzista geração Y, que não esconde de seu espectro de influências o pop do Radiohead e a música folk britânica (ele mora em Londres) em meio a trabalhos com renomados arranjadores, como Maria Schneider e Ingrid Jensen. The Darkening Blue é o quarto disco de Canniere, e traz esse vasto universo a partir de uma mesma linha climática. Ao chamar Brigitte Beraha como vocalista, ele foi do cool-jazz (“Going Blind”) ao avant-garde no estilo Annette Peacock (vide a arrebatadora “Evening”). O disco foi inspirado por obras literárias existencialistas, principalmente pela iminente solidão do alemão Rainer Maria Rilke e do norte-americano Charles Bukowski. Solidão não é sinônimo de tristeza: Rilke e Bukowski enfatizaram isso em suas obras, e é exatamente isso que Canniere persegue em seu álbum. “Bluebird” representa aquele momento em que contemplamos, junto a nossos pensamentos, um show acompanhado apenas com um copo com uma bebida qualquer. Em “Concession”, o baixo expressivo de Michael Janisch cria um diálogo com o pausado piano de Ivo Neame. Ali existe uma seriedade, que Canniere absorve com suas notas intrincadas, como se gerasse uma discussão que continua, continua, até que cada um descamba pra individualidade. A unidade de The Darkening Blue está justamente no tema. O disco, por outro lado, mostra direções túrgidas, hora complexas, hora reverenciais, hora contemplativas… O melhor exercício é seguir os conselhos de Bukowski: “Sinta mais. Pense menos”.


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Binary

Anna Webber

Gravadora: Skirl Records
Data de Lançamento:
24 de outubro de 2016

As figuras surrealistas da capa do terceiro disco de Anna Webber, um dos principais nomes de uma cena fragmentada de avant-garde no Brooklyn (EUA), poderiam ser totalmente geométricas, se o som dependesse do piano de Matt Mitchell. Observe o que ele faz nos diversos atos espalhados de “Rectangles”, ou na faixa-título. Ele coloca as peças. A sax-tenorista Anna Webber, por outro lado, desencaixa todas elas. Em “Disintegratiate”, ela joga curtas sopradas de seu sax-tenor como se estivesse ajudando a construir uma obra multidimensional. Nessa canção, Mitchell é a grande estrela, com técnica que remete ao jazz europeu da atualidade – aquele som que traz a matematização do clássico, com o brilhantismo do jazz. Em “Tug O’War”, a bandleader assume a flauta tocando fragmentos incompletos, tal qual um Severino Gazzelloni, só que com mais brandura e piquete (sim, ela brinca com o instrumento, e tanto Mitchell como o baterista John Hollenbeck a seguem tal qual um pega-pega musical). Aos 31 anos, Anna tem dado uma perspectiva mais lúdica ao avant-garde, ainda visto com excesso de seriedade. Binary mostra que mesmo num ambiente em que a criatividade é sobressalente, dá pra extrair leveza e diversão.


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Dada People

Dave Douglas & Frank Woeste Quartet

Gravadora: Greenleaf
Data de Lançamento: 14 de outubro de 2016

Numa de suas fotografias mais ilustres, o francês Man Ray capta as costas de uma mulher, que faz pose de volúpia. Um detalhe: na região em que se encerra as vértebras, há dois risquinhos, que se assemelham aos ouvidos do violino. Essa imagem traz beleza, sensualidade, algo de picante: sensação parecida à proposta do álbum Dada People, que homenageia Ray e outros ilustres do movimento dadá. Não à toa, uma das canções chama “Montparnasse”, em referência a Kiki de Montparnasse, a personagem que ilustra a bela fotografia de Ray (Kiki era amante dele). Enquanto música, o quarteto liderado pelo trompetista Dave Douglas e o pianista Frank Woeste tratou de emoldurar algo tão espirituoso quanto o retrato: a construção de solo de Douglas é dramática, mas ao mesmo tempo representativa de uma finesse que certamente emocionaria Kiki. “Mains Libres” exibe tensa dualidade entre piano e a bateria de Clarence Penn, libertado por meio do baixo de Matt Brewer. Douglas, já escolado em ritmos como o judeu klezmer e o estrepitoso free-jazz da cena downtown de Nova York (ao lado do saxofonista John Zorn), opta por passagens mais longas no instrumento, com variações que respondem ao rico senso de criatividade do movimento dadá. Em “Art of Reinvention”, beleza e extravagância são levados ao extremo. Em “Danger Dancer”, ele caminha junto ao quarteto num som que mistura hard-bop e avant-garde. Vale a pena se deliciar com as brincadeiras no baixo de Brewer.


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Expansions (Live)

Dave Liebman

Gravadora: Whaling City Sound
Data de Lançamento: 14 de outubro de 2016

Dave Liebman chega aos 70 anos passando pra frente aquilo que captou de mestres como o baterista Elvin Jones e o trompetista Miles Davis: ensinamento. O saxofonista era apenas uma prole quando tocou em clássicos como Genesis (1971) e On the Corner (1972), portanto decidiu que queria formar um grupo com jazzistas recém-escolados em conservatórios. Daí, surgiu o Expansions, com Bobby Avey (piano), Matt Vashlishan (sax alto, flauta e clarinete), Alex Ritz (bateria) e Tony Marino (baixo). Na maioria dos temas de Expansions (Live), que compila materiais dos dois álbuns lançados com o grupo (Samsara, 2014, e The Puzzle, 2015), Liebman assume o sax-soprano. E que delícia que ele extrai do instrumento! Em “India” é possível notar a autoridade dele, alargando caminhos como se fosse Moisés ante o Mar Vermelho. “JJ” exige uma característica esvoaçante de Liebman, estimulada pelo som ululante à lá Mingus de Tony Marino. Avey é um pianista que observa as possibilidades temporais, por isso quando o ouvinte se depara com sua agilidade (Cecil)taylorista em “JJ” ou em sua fugacidade na versão de “Selim” (registrada em On the Corner), esteja ciente de que ele está há anos-luz das teorias universitárias. Expansions (Live) é dividido em dois sets: o primeiro mais acústico, e o segundo mais elétrico. Ainda assim, não há uma ruptura estética entre um disco e outro. Liebman transita e quebra barreiras em qualquer formato que toca. Além do mais, essa diferenciação entre o que é considerado elétrico e ‘limpo’ remete aos tempos em que o público fazia distinção entre jazz ‘puro’ e ‘contaminado’. Já passamos dessa discussão. E Dave Liebman mostra que essas ‘distinções’ permanecem indissociavelmente conectadas. Não tem como desmembrar mais.


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Beyond Now

Donny McCaslin

Gravadora: Motema
Data de Lançamento: 14 de outubro de 2016

Blackstar revelou a técnica do sax-altista Donny McCaslin ao mundo, mas alguns meses antes ele havia maravilhado a comunidade jazzística com seus solos cristalinos em canções como “Arbiters of Evolution” (de The Thompson Fields, Maria Schneider Orchestra) e, anteriormente, no combo de metais de “The Gratitude Suite” (de Venture Bound, do pianista Alan Nechushtan). Já com 50 anos, o saxofonista de Nova York adapta sua técnica ousada, que estabelece um traço entre cool-jazz e a cena nova-iorquina dos anos 1980, liderada por John Zorn. Em seu novo disco, Beyond Now, ele optou por seguir a corrente da eletrônica – acompanhado de Tim Lefebvre (baixo), Mark Guiliana (bateria) e Jason Lindner (teclados). Trouxe dois covers de Bowie, de sua fase mais experimental: “A Small Plot of Land”, do injustiçado Outside (1995), e a distópica “Warszawa”, de Low (1977). Nas duas canções, o sax de McCaslin enfatiza o peso da melancolia, mas quem é fã de sua exuberância técnica vai se esmerilhar com a faixa-título e os solos rasgados da segunda metade de “Bright Abyss”. O saxofonista trouxe mais duas interpretações ao caldo: a atmosférica “Coelacanth 1”, de Deadmau5, e “Remain”, de Mutemath. Em todas as canções McCaslin mostra-se preocupado com as direções naturais de cada uma delas, deixando que seu saxofone siga essa jornada sem olhar pra trás. Um passo improvável, abrilhantado pela técnica e louvável pela ousadia.


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Os Toques do Berimbau

Estêvão Teixeira

Gravadora: Independente
Data de Lançamento: 14 de outubro de 2016

Ouvir via BandCamp

O flautista mineiro Estêvão Teixeira lançou um disco com releituras de diversos clássicos este mês, que também vale a pena conferir: chama-se Flauta Brasileira. Mas, para esta seção, preferimos ficar com Os Toques do Berimbau. Com apenas 6 faixas, parece seguir a ideia de um EP. Ele persegue um caminho rumo a um passado culturalmente miscigenado. Em “Caminhos Maiores”, ele parece penetrar uma floresta em que se conecta com diversas tribos, bichos, culturas e mistérios. As passagens dele naturalmente dialogam com esse multiculturalismo estético: é como se essa conexão fosse a possibilidade de exercer uma fluência de linguagem já aprendida há muito tempo com seus anos de experiência como aprendiz e professor (ele inventou um método de aprendizado a partir do teclado que se chama Tedem). “Yuna Verdadeira” é de aquietar pássaros de tão bela que é a sinergia entre o berimbau, mantendo um ritmo lento, e a flauta, contemplativa. Sabe aquele som da capoeira? Em “Angola”, Estêvão cria uma passagem reflexiva, dando peso histórico a uma dança cada vez menos vista nas ruas brasileiras.


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Astral Progressions

Josef Leimberg

Gravadora: World Galaxy Records
Data de Lançamento:
7 de outubro de 2016

Jazz espiritual. O termo lembra um certo Kamasi Washington, que causou na cena com The Epic (2015), não? Esse termo também acompanha o trompetista Josef Leimbergb, que após trabalhar com nomes consagrados como Erykah Badu e Kendrick Lamar, lança seu álbum de estreia. Astral Progressions é repleto daquela aura sublime do colega Washington – que colabora na estonteante “Interstellar Universe”, com solos comparáveis aos melhores trampos de Pharoah Sanders. A espiritualidade de Leimberg tem mais a ver com climatização que virtuosismo. Longe de querer competir com gigantes contemporâneos, como Christian Scott e Duane Eubanks, Leimberg dialoga com a espacialidade que cria no seu disco de uma forma que nos remete a Sun Ra. Melhor prova disso é “The Awakening”. ”Celestial Visions” tem um requinte de classicismo de música de câmara, por conta dos choirs, mas aqui o que se observa é um perfil à lá Miles Davis, mais contido até, naqueles discos arranjados por Gil Evans, com a adição de beats de hip hop (na faixa-título, ele conta com a participação do rapper Bilal num som totalmente sci-fi). “O álbum entrou numa grande dimensão nas cordas, e isso abriu mais minha cabeça em relação a novas texturas”, disse o trompetista ao BandCamp Weekly. Dê o play e embarque nessa nau cheia de espiritualidade.


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#knowingishalfthebattle

Orrin Evans

Gravadora: Smoke Sessions
Data de Lançamento: 7 de outubro de 2016

Quem tem conhecimento, tem poder. E com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Esse é o lema tomado pelo pianista da Filadélfia Orrin Evans. A inspiração não vem do “Homem Aranha”, como a frase dá a entender. Vem de outro desenho, “G.I. Joe”, onde um dos heróis dizia que o conhecimento é a metade de uma batalha. #knowingishalfthebattle sonoriza esse conhecimento jogando, contrapondo e debatendo ideias. Isso é sentido na instrumentalização: o pianista conta com dois guitarristas de diferentes escolas (Kevin Eubanks e Kurt Rosenwinkel), unindo distorção e som acústico. Evans soa mais como um integrante de apoio em canções como “When Jen Come In” e “You Don’t Need a License to Drive”, quebrando ritmos harmônicos em sequências tensionadas, estimulando as guitarras e puxando a bateria de Mark Whitfield Jr. para o campo do hard-bop. O som de “Half the Battle” é bem tântrico e lembra aquele som característico do Bali. Já “Slife” tem a seriedade da música de câmara, até que as guitarras se confrontam e o piano entra na discussão, com ‘argumentos’ (diga-se: variação de notas) bastante sólidos. Evans também conta com a colaboração da cantora M’Balia em duas canções: “That’s All” e uma arrebatadora versão de “Kooks”, de David Bowie (do álbum Hunky Dory, 1971).


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Cantos Invisíveis

São Paulo Underground

Gravadora: Cuneiform
Data de Lançamento: 14 de outubro de 2016

Ouvir via BandCamp

O 5º álbum do grupo que tem em sua formação 2/3 de brasileiros ganhou um adicional. Além do bandleader Rob Mazurek (trompete, cornet, flugelhorn) e os já conhecidos Mauricio Takara (bateria) e Guilherme Granado (teclados), o suíço e já radicado em nossas terras Thomas Rohrer colabora com suas ranhuras na rabeca. Os temas de Cantos Invisíveis são multidirecionais: a produção foi pensada para que o ouvinte admire suas canções como se eles tivessem tocando ali na sua frente. A questão da proximidade é latente na obra do SP Underground: eles captam o hibridismo, o barulho e as expressões da metrópole, valorizando seu aspecto sonoro. Quem mora na cidade grande sabe: não haveria som mais verossímil dessa loucura do que o free-jazz. Aqui, ele ganha uma conotação bem mais abstrata. Os 13 minutos de “Estrada Para o Oeste” lembram uma viagem de trem em ritmo industrial, refazendo trilhas e barulhos pormenorizados do caos cotidiano. Mas olhar Cantos Invisíveis apenas pela perspectiva citadina pode ser um exercício enfadonho. “Lost Corners Boogie”, por exemplo, conecta o dodecafonismo de Stockhausen e AACM ao que já se convém chamar música torta brasileira. As ligeiras “Fire and Chime” e “Of Golden Summer” têm aspectos indissociáveis do jazz de Chicago. Ao seguir um lado mais melodioso, mostra que o SP Underground doma as arestas do free-jazz como poucos. Já está mais que na hora de considerá-los entre os gigantes de seu tempo.


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America’s National Parks

Wadada Leo Smith

Gravadora: Cuneiform
Data de Lançamento: 14 de outubro de 2016

Ouvir via BandCamp

“É um paraíso”, pensou o trompetista Wadada Leo Smith ao pensar nas possibilidades de unir violoncelo, piano e baixo. Para tanto, usou como inspiração uma paisagem considerada paradisíaca: o Parque Nacional dos Estados Unidos. Sua perspectiva, que resultou no álbum America’s National Parks, vai além da beleza. “Trata-se de uma difusão de energia”, disse o bandleader, que acionou seu Golden Quintet, hoje complementado por Anthony Davis (piano), Ashley Walters (cello), John Lindberg (baixo) e Pheeroan akLaff (bateria). Wadada é conhecido como um ás no free-jazz, associado ao influente AACM no final dos anos 1960 (este ano ele também lançou disco com o pianista Vijay Iyer, tratado na edição Groovin’ Jazz de março). Como o próprio nome sugere, America’s National Parks é uma obra contemplativa, repleta de uma espiritualidade que só pode ser apreciada no contato mais íntimo do homem com a natureza. “Yosemite” reflete isso perfeitamente, porque obedece ao silêncio e às pausas de forma pouco associada a um gigante do avant-garde, como é o caso do trompetista. Os temas são longos e meditativos, mostrando uma técnica de espacialidade que faz com que as imagens paisagísticas venham à mente mesmo para quem nunca ouviu falar desses parques. Não é um álbum para ser reproduzido com barulhos – ainda mais porque tem canções com 20 e 30 minutos (“New Orleans: The National Culture Park” e “Mississipi River: Dark and Deep Dreams”). Em seus meandros é possível observar os encontros e desencontros estéticos dessa junção de instrumentos que tanto maravilhou o trompetista. Realmente magnífico.


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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010 - que, além de site, também é canal do YouTube e Embaixador Spotify. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e repórter de entretenimento, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).

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