G. Álbuns: Johnny Cash | At Folsom Prison (1968)

Canções importantes do compositor ganharam significado ainda maior em seu primeiro show em prisões estaduais; ouça o disco na íntegra

01 Folsom Prison Blues
02 Busted
03 Dark as the Dungeon
04 I Still Miss Someone
05 Cocaine Blues
06 25 Minutes To Go
07 Orange Blossom Special
08 Long Black Veil
09 Send A Picture Of Mother
10 Wall
11 Dirty Old Egg-Suckin' Dog
12 Flushed From the Bathroom of Your Heart
13 Joe Bean
14 Jackson
15 Give My Love to Rose
16 I Got Stripes
17 The Legend of John Henry's Hammer
18 Green, Green Grass Of Home
19 Greystone Chapel

Gravadora: Columbia
Data de Lançamento: maio de 1968

“Folsom Prison Blues” já havia sido escrita onze anos antes no disco de estreia With His Hot and Blue Guitar, mas merecia uma versão definitiva. Inovadora para a época, a canção unia preceitos da country music com uma temática blueseira de alguém que, muito antes de Mano Brown, já associava a necessidade de um prisioneiro de ‘matar o tempo’. A crueldade do personagem (coisa natural, meio Billy the Kid) era de impressionar os rappers com as letras mais belicosas: ‘Atirei em um homem em Reno/Só para vê-lo morrer’.

Johnny Cash não tinha o apelido de ‘Homem de Preto’ à toa. Além das vestimentas, tinha gosto por fazer canções com personagens emocionalmente sombrios, que sofreram na vida. Um grande traço de sua carreira.

Daí veio a vontade de apresentar suas canções em prisões. O primeiro registro foi esse At Folsom Prison, de 1968.

Como fazer? – era a pergunta que não calava. A Columbia não tinha muito interesse nessa empreitada por não ser ‘comercialmente viável’. O ‘budget’ foi baixo, mas o que realmente importava para Cash era fazer uma apresentação digna.

A cautela foi tão grande, que o cantor pediu para que a lenda do rockabilly Carl Perkins, junto com os Statler Brothers, ‘preparassem’ a plateia; aquela cena clássica em que ele diz com seu barítono acentuado ‘hello, I’m Johnny Cash’, precedido por aplausos, foi articulada. Mas nada que impedisse a aura de uma das grandes marcas do Homem de Preto.

Para a gravação de At Folsom Prison, o músico agendou duas apresentações no dia 13 de janeiro de 1968: a primeira às 9h40 da manhã – começou com “Folsom Prison Blues”, que ganhou significado ainda maior e tornou-se um dos emblemas de J. Cash; a segunda teve início às 12h40, mas nela os músicos já estavam cansados devido ao estrondo da primeira.

Também pudera: a sequência da agitadíssima “Cocaine Blues”, a divertida e simbólica “25 Minutes to Go” e o baile folk de “Orange Blossom Special” (com um memorável solo na gaita de Cash) já eram de suar o mais prolífico dos atletas, com pouco mais de 10 minutos de duração.

E, já que estamos falando de um cenário desolador como uma prisão estadual, as reflexivas “Dark as Dungeon”, “Send a Picture of Mother” e “The Long Black Veil” ganharam significado bem maior do que se fossem apresentadas a um público pagante.

Mesmo a divertida “Dirty Old Egg-Suckin’ Dog”, que fala de um ‘cachorro vagabundo que come minhas galinhas’ tem mais proximidade com o que faria um ‘cara mau’, ou um cara que comete atos ruins, ou mais ou menos isso. Quem não daria risadas com uma letra dessas?

Foi nesse registro ao vivo que o compositor mostrou algumas faixas com aquela que seria sua futura parceira e companheira: June Carter. As versões de “Jackson” (com imponente voz de Carter) e “I Got a Woman” (que só apareceu na versão deluxe de 2008) são boas, mas a melhor é “The Legend of John Henry’s Hammer”, escrita pelos dois, um dueto-ode ao personagem John Henry que, na cultura popular norte-americana, era um rapaz que trabalhava na construção de túneis e minas e que usava seu martelo como instrumento de protesto.

Apesar do nervosismo e do resultado não tão satisfatório da segunda apresentação (de onde só foram aproveitadas as canções “Green, Green Grass of Home” e “Greystone Chapel”), Johnny Cash surpreendeu até os executivos da gravadora, dando um grande salto novamente na carreira após um pequeno hiato que se deu por conta de seu envolvimento com drogas pesadas. O disco figurou entre o mais comercializado das paradas de country music e um dos 15 discos mais vendidos do ano nos Estados Unidos.

O Homem de Preto estava de volta, ainda mais obscuro que antes.

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Ouça At Folsom Prison na íntegra, de Johnny Cash:

Johnny Cash – At Folsom Prison by Tiago Ferreira on Grooveshark

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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e atualmente sou repórter de notícias, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).

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