Quem disse que o post-rock não é versátil precisa ouvir Mogwai

Agora como quarteto, banda retoma com produtor Dave Fridmann e entrega som mais encorpado e improvável

Gravadora: Rock Action
Data de Lançamento: 1º de setembro de 2017

Disco da Semana: Mogwai, Every Country’s Sun

Em mais de duas décadas de carreira, o Mogwai tem desenvolvido mais e mais a capacidade de surpreender os ouvintes a partir de seus caminhos melódicos.

Não por conta de um tipo de sobrevivência no post-rock (terreno em que muitas bandas se autorreciclam por receio de fugir de algum tipo de identidade).

Alguns pontos na trajetória da banda escocesa foram determinantes para essa evolução, como a composição de trilhas sonoras bem diferentes umas das outras – de um longa sobre o jogador Zidane ao suspense da premiada série francesa Les Revenants. Pesou também para essa diferenciação a saída do guitarrista John Cummings em 2015, que decidiu focar em projetos solo.

Como quarteto, esperava-se que o Mogwai surgisse com um som compactado. Assim que saiu uma das primeiras amostras de Every Country’s Sun, “Coolverine”, a impressão era de que o grupo estava retornando ao som mais textural de Come On Die Young (1999).

A opção por trabalhar novamente com o produtor Dave Fridmann, parceiro da banda entre 99 e 2001, selou uma proximidade com o passado. É já em busca de romper com isso que a banda optou por colocar como segunda faixa “Party in the Dark”, com vocais ofuscados de Barry Burns – mais próximas de um ato eletrônico do que roqueiro, a bem dizer.

Comparado ao antecessor Rave Tapes (2014), Every Country’s Sun é mais versátil. Não que isso represente algum tipo de risco para o grupo; o tempo em que tocam juntos já é suficiente para notar maturidade nas passagens.

Mas a impressão é que o álbum tem aquela gana de discos iniciais: é mais aventureiro, mais fora da caixinha.

Se por um lado a banda mantém a segurança que reflete na qualidade sonora, por outro deixa-se divagar no plano que a música os leva. Em “Crossing the Road Material”, por exemplo, parece que os instrumentistas entregam o tema à natureza.

A justaposição da bateria de Martin Bulloch, em “20 Size”, denota o controle tão caro ao math-rock. Esse controle mantém o som atravancado, mesmo quando percebemos que as guitarras tentam se libertar. É justamente esse exercício que torna o tema interessante, como se fosse uma amostra de que mesmo a experiência tem lá suas limitações.

Quem sentia falta das músicas pesadas do Mogwai vai gostar de “Don’t Believe the Fife”, que mais parece um take progressivo do que de post-rock. Em “Old Poisons”, o peso já é potencializado logo de cara, num stoner-rock para manter a verve nos momentos mais quentes das apresentações ao vivo.

Outros lançamentos relevantes:

LCD Soundsystem: american dream (Excelsior Equity Management/Columbia)
Oriente: Yin-Yang (Sony)
As Bahias e a Cozinha Mineira: Bixa (YB)
Herod: Herod Plays Kraftwerk (Sinewave)
Maglore: Todas as Bandeiras (Deck)

Artistas Mogwai

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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e atualmente sou repórter de notícias, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).

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