Damian Marley prova: o reggae tá mais global do que nunca

12 anos após Welcome to Jamrock, filho mais novo de Bob surge com álbum de 18 músicas

Gravadora: Island/Republic
Data de Lançamento:
21 de julho de 2017

Disco da Semana: Damian Marley, Stony Hill

Aos 39 anos, Damian Marley é o filho que mais levou adiante a globalização do reggae que destacou a última fase de Bob Marley.

Já se vão 12 anos desde seu último disco, Welcome to Jamrock (2005), mas que outro artista jamaicano colaborou com nomes tão diferentes como Nas (no disco colaborativo Distant Relatives), Skrillex (“Make It Bun Dem”) e, recentemente, Jay-Z (“Bam”)? (Popcaan talvez seja o único que compete de igual para igual com Damian.)

Não é só pelas colaborações que Damian se mostra versátil. Seu novo álbum, Stony Hill, dialoga com variadas vertentes que vão muito além do esquema baixo-guitarra do reggae.

Diálogo universal

Os scratches de “Here We Go” aproximam-se do hip hop e encostam no dubstep. A bateria de “R.O.A.R.” lembra o rufar dos tambores de uma marcha que revela um tipo de soundsystem do século XXI. “Time Travel” parece o enredo de um filme épico (com personagens da vida real, como Khadafi, Obama e dirigentes da Fifa), enquanto “Autumn Leaves” revela interessante lado melancólico de Damian, um lamento sobre o que há de dificuldades no mundo – mas que cabe a cada um superá-los da melhor forma possível.

É importante que o reggae mostre esse diálogo universal, já que muitos costumam torcer o nariz com o ritmo lento e padronizado tão associado a ele.

Welcome to Jamrock, na verdade, já tinha superado toda essa discussão logo de cara com o single “Confrontation”.

Na verdade, ele tá mesmo é mais preocupado em levar a importância da mensagem do reggae adiante.

Logo no começo do disco, com “Nail Pon Cross”, ele recobra algo que anda bastante em falta desde sempre: o respeito. ‘O mundo precisa entender/Um homem é somente um homem/Não julgue-o por seus caminhos‘.

Ao lado do irmão Stephen Marley, em “Medication”, outro tema muito caro ao reggae: maconha. Só que, aqui, ele busca respaldo na base científica que provou o poder medicinal da marijuana.

Futuro do reggae

E, claro, o legado do pai não poderia ser esquecido. Em entrevista à revista Billboard, Damian disse que a canção em que mais se aproximou do legado do pai foi “The Struggles Discontinues”, cuja inspiração remonta a Natural Mystic (1978).

Mas sua melhor homenagem, diz, é “Livin’ It Up”, por “honrar minha educação, minha mãe e minha família”.

Devido às múltiplas direções, as 18 canções de Stone Hill cumprem duas prerrogativas: o preenchimento de uma lacuna das grandes pela ausência de Damian e a ideia de justapor o reggae ao século XXI.

Normal que esse passo seja dado por alguém da família Marley.

Outros lançamentos relevantes:

Tyler, the Creator: Flower Boy (Columbia)
Lana Del Rey: Lust For Life (Interscope)
Stanton Moore: With You in Mind (ADA / Cool Green Recordings)

Confira o vídeo do nosso canal no YouTube sobre Bob Marley:

Artistas Damian Marley

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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010 – que, além de site, também é canal do YouTube e Embaixador Spotify. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e repórter de entretenimento, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).


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