Crítica: Queens of the Stone Age | Villains

7º disco mostra que o teor de renovação da banda está se esgotando

Gravadora: Matador
Data de Lançamento: 25 de agosto de 2017
Avaliação: 5.5/10

O rock tem essa coisa das mesmices, e uma banda consagrada como Queens of The Stone Age não está livre delas.

Villains tem bons riffs, ótimas pegadas, talvez um ou outro hit ali, mas não entrega nada de novo em relação aos trabalhos anteriores.

À medida em que soa atrativo perceber que a banda mantém a energia do stoner-rock aceso em faixas como “Head Like a Haunted House” ou “The Evil Has Landed”, a fórmula posta desenvolve, agrada, e é isso aí.

Não dá pra esperar algo diferente do QOTSA porque cada passo precisa ser milimetrizado para não fugir do esquema rítmico que se tornou a joia e o declínio artístico da banda.

Perceba bem: riffs, entrecruzamentos, letras sobre perigos e aventuras… Uma capa legal, baterias em looping. Josh Homme acertou bem a mão em Songs For The Deaf (2002) e não largou mais o osso. As características de jam band que funcionaram tão bem trechos instigantes de “Go with The Flow” ou, em um exemplo mais recente, “Keep Your Eyes Peeled”, foram reforçadas e intensificadas.

Tocado na íntegra ao vivo, Villains funcionaria – quer dizer, funcionaria se não existisse um legado que aumentou a popularidade da banda principalmente após Rated R (2000).

A dificuldade de renovação não é uma praxe exclusiva do QOTSA. O mainstream costuma desgastar o que um dia foi legal e, para manter-se lá no topo, as bandas precisam se autorreciclar. Para isso, não se permitem intervenções muito bruscas – o que justifica a preferência do público pelos clássicos em vez das novidades. Afinal, as músicas novas são esses clássicos repaginados.

Mas, para algumas bandas essa autorreciclagem funciona. Foi assim por décadas com AC/DC, Ramones e muitas outras (o que não tira o mérito de serem boas bandas, diga-se). Hoje em dia, outra banda que serve como exemplo é o Foo Fighters – que, não por acaso, virá em turnê com o QOTSA ao Brasil em fevereiro de 2018.

Tempos arrastados

É mais ou menos por isso que passa novidades como “The Way You Used to Do” e “Hideaway”. Ambas contêm ecos de fases anteriores, algo natural para uma banda que possui 7 álbuns no currículo – sem contar os EPs e os discos com o Kyuss, projeto anterior de Homme.

O problema não está em um suposto lapso de criatividade por parte de Homme, que divide sua atenção com diversos outros projetos (entre eles, Eagles of Death Metal, Them Crooked Vultures e produção de Arctic Monkeys). A real é que o QOTSA tornou-se um pomar que já não rende bons frutos.

Diferente de …Like Clockwork (2013), em que se percebe um desvio da fórmula, Villains endossa os muitos trejeitos já associados à banda.

Quando Homme não faz isso, entrega faixas pouco inspiradas, como é o caso da arrastada “Domesticated Animals” e da desajustada “Villains of Circumstance”, que ensaia algo fantasmagórico nos moldes de Lullabies to Paralyze (2005), mas que não engata muito bem.

Isso não significa que tempos sombrios se aproximam para o QOTSA. Homme é um grande compositor e soube renovar o rock de maneira indelével, sugerindo um crossover entre metal, indie, blues-rock e rock sulista num projeto que já nos brindou com diversos hits.

Mas, comparado ao legado já construído, Villains é mera nota de rodapé.

Regular5.5
Tracklist:

01 Feet Don't Fail Me
02 The Way You Used to Do
03 Domesticated Animals
04 Fortress
05 Head Like a Haunted House
06 Un-Reborn Again
07 Hideaway
08 The Evil Has Landed
09 Villains of Circumstance

Melhores Faixas: "Head Like a Haunted House", "The Evil Has Landed".
5.5

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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010 - que, além de site, também é canal do YouTube e Embaixador Spotify. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e repórter de entretenimento, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).

  1. Fernando Vitor Vsc 1 outubro, 2017 at 10:41 Responder

    Achei um álbum um tanto exagerado. Acho que um álbum que você escuta e não se lembra das músicas, tem chances de não ser tão bom.
    Close…Come Close
    Eu me lembrei disso.
    Não sei se fazer música ligada ao rock alternativo ta ficando mais difícil, o próprio arctic monkeys se isolou do seu formato alternativo no AM.
    Mas enfim, pelo menos os caras tentaram, diferente de umas bandas ai q se entregam a uma música meio melada demais.

    • Tiago Ferreira 3 outubro, 2017 at 12:41 Responder

      É verdade, isso não tira o mérito de ser uma banda ainda boa e relevante. Talvez seja o próprio esquema estético que eles criaram para as bandas que não permita ir mais além, sabe? Foi isso que me veio à cabeça ao ouvir Villains.

      Um abraço e volte sempre.

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