Crítica: Bobby Womack | The Bravest Man in the Universe

Soulman retorna com tudo após a estranha parceria que deu certo com Damon Albarn

01 The Bravest Man in the Universe
02 Please Forgive My Heart
03 Deep River
04 Dayglo Reflection (ft. Lana Del Rey)
05 Whatever Happened to The Times
06 Stupid (introlude ft. Gil Scott-Heron)
07 Stupid
08 If There Wasn’t Something There
09 Love Is Gonna Lift You Up
10 Nothin’ Can Save Ya (ft. Fatoumata Diawara)
11 Jubilee (Don't Let Nobody Turn You Around)

Gravadora: XL
[rating:4]

Damon Albarn, do Gorillaz, merece o crédito por insistir para que Bobby Womack voltasse à ativa 18 anos depois do lançamento do último de inéditas. Mas não pense que Albarn doma a fera vocal do soulman.

Cantando ‘bem melhor do que já fez antes’ (como afirmou ao Guardian), as batidas eletrônicas não são novidade para o cantor que já está próximo de completar 70 anos. Antes do retorno – que pode ser considerado triunfal – Womack fez aquela participação marcante em “Stylo”, dos Gorillaz, além de tocar em “Cloud of Unknowing” (também de Plastic Beach) e relembrar os velhos tempos do funk setentista em parceria com o velho camarada Bootsy Collins em “Don’t Take My Funk”.

The Bravest Man in the Universe já abre com a faixa-título, que trafega pelas linhas do trip hop onde Womack faz um retrato quase autobiográfico ao dizer ‘uma vez estive perdido, mas agora me encontrei’ – palavras que fazem ainda mais sentido após a descoberta de que se livrara definitivamente do câncer de colo quando o disco já estava finalizado.

Logo na primeira faixa, já dá pra perceber que tem dedo do produtor Richard Russell, chefão da XL responsável por elevar os suspiros finais da carreira de Gil Scott-Heron ao produzir o ótimo I’m New Here, de 2010. Inclusive, Scott-Heron é relembrado em seu formato spoken-word na introdução de “Stupid” que, na sincronia de piano clássico e uma espécie de drum’n bass contido, fala da alienação da comunicação de massa.

“Please Forgive My Heart” talvez seja a canção mais pura que você vá encontrar aqui. Ela tem efeitos que poderiam ter sido utilizados em The King of Limbs: sintetizadores que acompanham o ritmo da canção,enquanto o músico se esgoela e se entrega em uma canção que prova o quanto Womack estava certo em relação a sua voz.

Os lamúrios de Lana Del Rey ganham conforto nos ombros de Womack em “Dayglo Reflection”, mas quem sai-se melhor é a cantora Fatoumata Diawara no dueto “Nothin’ Can Save Ya”, onde eles falam de um caso amoroso e fazem um bom uso do autotune no refrão. Entretanto, os efeitos favorecem mais Womack quando ele segue por faixas flutuantes, quase ufológicas, como é o caso de “Whatever Happened to the Times” que, só pela sonoridade, já revela sua estranheza com a contemporaneidade.

E, se você sentia falta de canções mais agitadas, pode mexer o esqueleto com “Love is Gonna Lift You Up”.

Com apenas 37 minutos de duração, The Bravest Man in the Universe já se revela um álbum de impacto. Womack causa reação. E, em seu retorno, pode esperar as melhores possíveis.

Melhores Faixas: “The Bravest Man in the Universe”, “Please Forgive My Heart”, “Whatever Happened to the Times”, “Nothin’ Can Save Ya”.

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Tiago Ferreira

Editor do Na Mira desde 2010. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e atualmente sou repórter de notícias, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).

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